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terça-feira, 17/02/2026

startups de energia do sol em laboratório batem recorde de investimentos

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Ryohtaroh Satoh e Jamie Smyth
Folhapress

O setor de startups que trabalha com energia gerada pela fusão nuclear superou recordes no ano passado ao conseguir captar uma quantia inédita de recursos financeiros. Esse avanço mostra que a ideia de produzir energia limpa e barata está se tornando cada vez mais próxima da realidade comercial.

De acordo com informações do grupo PitchBook, empresas de investimento participaram de 43 rodadas de financiamento, investindo um total de US$ 2,3 bilhões, aproximadamente R$ 12 bilhões. Recentemente, investidores têm demonstrado grande interesse em empresas de fusão nuclear, motivados pela expectativa de uma fonte de energia abundante e sem emissão de carbono.

Diferentemente da energia nuclear tradicional, que divide átomos, a fusão tenta imitar o processo que ocorre no sol, onde núcleos atômicos se unem sob altas temperaturas ou pressões para gerar energia.

Grande parte desse investimento continua em empresas privadas, mas algumas dessas startups já estudam abrir capital para financiar seus projetos que necessitam de bilhões de dólares.

A empresa canadense General Fusion anunciou no mês passado sua intenção de se tornar pública por meio de uma fusão com uma companhia de aquisição especial, avaliando seu valor em cerca de US$ 1 bilhão. Se concretizado, será a primeira empresa focada só em energia de fusão a ser listada em bolsa, prevista para meados de 2026.

Outro exemplo é a TAE Technologies, que em dezembro comunicou planos para abrir capital também através de fusão acionária, atribuindo um valor de US$ 6 bilhões à empresa.

O mercado tem reagido positivamente. Por exemplo, o preço do investimento privado na General Fusion foi definido em US$ 12 por ação, um valor 20% superior ao esperado para a abertura de capital.

Kristi Marvin, fundadora e CEO da SPACInsider, comenta que investidores comuns gostam de apostar em tecnologias futuristas, mesmo que ainda estejam distantes da aplicação prática.

Dentro do setor, observa-se uma mudança na forma de captar recursos. Ally Yost, vice-presidente sênior da Commonwealth Fusion Systems (CFS) — empresa com quase US$ 3 bilhões captados — explica que as startups menores estão realizando mais rodadas de investimento, porém com valores menores, enquanto as empresas estabelecidas demandam investimentos maiores para o desenvolvimento de máquinas reais.

Até o momento, nenhuma empresa privada alcançou a fusão comercialmente viável. A maioria trabalha em dispositivos de demonstração, que são versões menores de futuras usinas capazes de provar que geram mais energia do que consomem.

A CFS planeja construir nos EUA a sua primeira usina comercial no início da década de 2030. A Helion Energy projeta as primeiras vendas de energia até o final de 2028. Já a General Fusion está em fase de testes com seu dispositivo pré-comercial.

Apesar dos desafios financeiros previstos para 2025, o CEO da General Fusion, Greg Twinney, afirma que a empresa segue uma estratégia cautelosa, testando partes individuais do projeto em uma escala menor, o que pode entregar resultados semelhantes com menos dinheiro investido.

Críticos alertam que a fusão ainda é uma tecnologia incerta e que levará muitos anos até se tornar relevante comercialmente.

Ted Brandt, fundador e CEO do banco de investimentos em energia limpa Marathon Capital, destaca que essas tecnologias podem estar a anos de gerar lucro e que as avaliações bilionárias são difíceis de justificar, comparando o investimento à aposta na próxima SpaceX.

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