A Sociedade Rural Brasileira (SRB) manifestou, nesta segunda-feira (23), sua desaprovação em relação à invasão ocorrida no terminal portuário da Cargill em Santarém (PA), na madrugada de sábado (21). A SRB pede que os governos Executivo e Judiciário atuem rapidamente para garantir o funcionamento do local. A entidade chamou de “inaceitável” a entrada sem autorização, que resultou em danos e ameaças aos trabalhadores.
Segundo a SRB, as reivindicações dos indígenas têm relação com o decreto federal que inclui as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização. Eles afirmam que esses assuntos devem ser discutidos com o governo e as comunidades, sem prejudicar a operação das empresas privadas. A SRB também solicitou que os responsáveis por possíveis crimes durante os protestos sejam punidos.
O decreto nº 12.600, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto de 2025, incluiu os rios Madeira, Tocantins e Tapajós no programa federal que pode permitir concessões para a navegação e dragagem.
Para os indígenas do Conselho Tapajós e Arapiuns (Cita), o decreto representa um risco à qualidade da água e à pesca nas comunidades ribeirinhas. O governo informa que o decreto autoriza apenas estudos técnicos, não tratando de privatização.
Os protestos começaram em 22 de janeiro, quando bloquearam o acesso de veículos ao terminal. Após um mês sem resposta do governo, o Cita uniu forças. Na noite de sexta-feira (20), manifestantes danificaram a fachada do escritório da Cargill em São Paulo. Na madrugada do sábado (21), grupos ocuparam o terminal em Santarém, interrompendo suas atividades.
A Justiça Federal recusou analisar o pedido da Cargill para afastar os manifestantes em regime de plantão. O Ministério Público Federal contestou a intimação dos indígenas para deixarem o local, classificando a ação como inadequada.
O terminal em Santarém movimentou cerca de 5,5 milhões de toneladas de soja e milho em 2025, representando quase 70% dos grãos exportados pelo porto paraense, conforme dados do setor portuário.
No domingo (22), o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou a suspensão da licitação para dragagem e informou que reuniões estavam agendadas para esta segunda-feira (23) com a Secretaria-Geral da Presidência, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o governo do Pará.
Outras entidades, como a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), também publicaram notas de desaprovação à invasão nos dias anteriores.

