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sábado, 14/02/2026

Sonhos da favela destacam desejos por casa, saúde e segurança

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A pesquisa Sonhos da Favela, feita pelo Data Favela, mostra os principais desejos dos moradores de favelas no Brasil para o futuro próximo. Com 4.471 entrevistas realizadas entre 11 e 16 de dezembro de 2025, em todas as regiões do país, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, o estudo ouviu pessoas maiores de 18 anos e revela a necessidade de melhorar áreas como educação e segurança.

Para 2026, 31% dos entrevistados querem uma casa melhor, 22% desejam ter saúde de qualidade, 12% querem que seus filhos entrem na universidade e 10% buscam segurança alimentar. A pesquisa destaca que as favelas têm uma população jovem, negra, trabalhadora e cheia de sonhos, apesar dos desafios.

O estudo mostra que 58% dos participantes têm entre 30 e 49 anos, 25% têm entre 18 e 29 anos, e 17% têm mais de 50 anos. Cerca de 60% são mulheres, e 82% se identificam como negros, sendo 49% pardos e 33% pretos, enquanto 15% são brancos. Sobre escolaridade, 8% completaram o ensino fundamental, 35% o ensino médio, 11% o superior e 5% pós-graduação. Em relação à renda, 60% ganham até um salário mínimo, 27% recebem entre R$ 1.521 e R$ 3.040, e 15% ganham mais.

No trabalho, 30% têm emprego formal, 34% trabalham de modo informal, 17% estão desempregados e 8% não fazem parte da força de trabalho, como aposentados ou estudantes. Ainda, 56% não recebem benefícios do governo, enquanto 29% recebem o Bolsa Família ou Auxílio Brasil.

Os moradores querem melhorias em saneamento básico (26%), educação (22%), saúde (20%), transporte (13%) e meio ambiente (7%) para 2026. Sobre esporte, lazer e cultura nas comunidades, 35% acham ruim ou muito ruim, e 32% consideram regular.

Sobre raça e gênero, metade dos entrevistados dizem que a cor da pele afeta oportunidades de trabalho. Para as mulheres, 70% apontam violência doméstica e feminicídio como os maiores problemas, seguidos por dificuldades com emprego e renda (43%) e falta de apoio para cuidar dos filhos (37%). As políticas públicas mais urgentes são programas para ajudar a entrar no mercado de trabalho (62%), campanhas contra o machismo (44%), delegacias e serviços 24 horas (43%) e cuidado com a saúde da mulher (39%).

Na segurança pública, 36% não confiam em nenhuma instituição para proteção, 27% confiam na Polícia Militar, 11% na Polícia Civil e 7% em grupos locais. Sobre a presença da polícia nas favelas, 24% não responderam, 25% dizem que não muda a sensação de segurança, 13% sentem medo, e 22% sentem-se mais seguros.

Cléo Santana, copresidente do Data Favela, destaca que entender a vida dos moradores é um ato de reconhecimento. “Favela não é só problema ou número. É lugar de inteligência, cultura e inovação”, afirma. Ela ressalta que ouvir os moradores muda a forma de pensar e ajuda a melhorar políticas públicas, negócios e a cobertura da mídia nas periferias. Outro dado importante é o desejo de poder circular com tranquilidade (47%), mostrando que a sobrevivência e o medo são base para o futuro.

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