A cor vibrante das araras-canindés voltou a iluminar o céu do Rio de Janeiro com a primeira soltura dessas aves no Parque Nacional da Tijuca, local onde elas estavam desaparecidas. A organização Refauna, com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), liberou três fêmeas chamadas Fernanda, Suely e Fátima no começo de janeiro.
Essas aves vieram do Refúgio das Aves em Aparecida (SP) e passaram por um tempo se adaptando no parque desde junho de 2024. Durante esse período, elas acostumaram com os sons e cheiros da floresta, fizeram exercícios de voo e aprenderam a comer frutas naturais, como jabuticabas, em plataformas elevadas para evitar que associem os alimentos a pessoas.
Um macho chamado Selton adiou sua soltura por estar se recuperando de uma infecção no pulmão. Ele vai esperar um novo grupo de quatro a seis araras, que deve chegar em março, para ser liberado entre agosto e setembro deste ano.
Depois da soltura, a equipe do Refauna vai acompanhar as araras. Elas receberam anéis, microchips e colares para facilitar a identificação, o que permite capturá-las novamente se for necessário, especialmente para prevenir encontros perigosos com pessoas. A população pode ajudar enviando informações pelo Instagram, WhatsApp ou pelo aplicativo SISS-Geo da Fiocruz.
O ICMBio, através da chefe do parque Viviane Lasmar, destaca a importância da educação ambiental e da preparação dos guias turísticos para garantir encontros seguros com os animais. O parque oferece suporte ao projeto, como viveiros para o futuro dos ninhos.
O objetivo do Refauna é reintroduzir 50 araras-canindés em cinco anos, combatendo a falta desses animais na Mata Atlântica. Mundialmente, a espécie não está ameaçada, mas estava desaparecida no Rio desde o século 16. O projeto segue exemplos de sucesso com a reintrodução de outras espécies, como cutias e bugios, mostrando a importância dos animais para a dispersão das sementes das plantas e a recuperação do ecossistema.
Com informações da Agência Brasil
