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sábado, 30/08/2025

Solidão eleva risco de morte em mulheres na meia-idade, revela estudo

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A solidão pode aumentar o risco de morte independentemente da saúde física e mental, e quanto mais tempo a pessoa permanece isolada, maior é o perigo. Esta é a conclusão de uma pesquisa recente da Universidade de Sidney, na Austrália, publicada no British Medical Journal. O estudo foi pioneiro ao analisar a relação entre a solidão e a mortalidade precoce em mulheres de meia-idade.

A solidão é reconhecida como um problema de saúde pública, ligada a doenças cardiovasculares, depressão e demência, entre outras consequências negativas. Entretanto, até agora, os estudos não tinham avaliado como a duração da sensação de solidão afeta o risco de morte.

Os pesquisadores usaram dados do Australian Longitudinal Study of Women’s Health, que acompanha mais de 57 mil mulheres desde 1996. Selecionaram participantes entre 48 e 55 anos, sem doenças crônicas no início, e aplicaram questionários a cada três anos por um período de 18 anos.

As mulheres que relataram solidão persistente tiveram um risco de morte três vezes maior. O estudo ainda encontrou uma relação dose-dependente: quanto mais frequente a solidão, maior o risco. Embora até curtos períodos de isolamento afetem a saúde, o impacto tende a se acumular com o tempo.

Segundo os autores, a solidão está associada a altos níveis de estresse e alterações no sistema imunológico, que podem aumentar o risco de problemas cardíacos e certos tipos de câncer. Além disso, pessoas solitárias tendem a adotar hábitos prejudiciais, como fumar, alimentação desequilibrada e sedentarismo, fatores que contribuem para morte prematura.

Estudos anteriores mostram que a solidão está ligada à mortalidade, e sabe-se que, por exemplo, o viúvo tem um risco maior de morrer precocemente. A geriatra Thaís Ioshimoto, do Hospital Israelita Albert Einstein, comenta que além da parte psicológica, o convívio social traz o sentimento de pertencimento a um grupo, aumenta a motivação para cuidar de si e manter uma vida ativa, o que contribui para a saúde e longevidade.

Thaís Ioshimoto destaca que a interação social estimula o idoso a cuidar da aparência, da casa e a continuar atividades que dão sentido à vida, como cuidar da família e dos amigos, fortalecendo seu propósito de viver.

De acordo com os autores do estudo, a solidão deve ser vista como um importante fator social que impacta a saúde, e é fundamental desenvolver ações para melhorar o bem-estar das pessoas, prevenindo doenças e mortes evitáveis.

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