O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central (BC) informou em sua última reunião que o Sistema Financeiro Nacional (SFN) mantém níveis de capital e liquidez acima do que é exigido por lei.
Segundo a ata da 64ª reunião, o sistema possui capital e ativos líquidos suficientes para suportar perdas em momentos difíceis e cumprir as regras vigentes.
O comitê também destacou que a rentabilidade do sistema se manteve estável, apesar das diferenças entre os setores. A margem de juros para o crédito continuou pressionada devido ao aumento dos custos de captação, e as despesas com provisões aumentaram.
Foi reafirmado que o crédito no SFN está desacelerando, acompanhando a moderação no crescimento da economia. Para as famílias, houve redução do crédito nas modalidades mais arriscadas e no crédito rural. Para as empresas, a desaceleração afetou empresas de todos os tamanhos, exceto as microempresas.
Apesar da desaceleração, o mercado de capitais cresce em ritmo muito maior que o crédito bancário.
O aumento da importância do mercado de capitais como fonte de recursos para as empresas ocorre em um cenário de mercado aquecido, com mais emissores e spreads menores. Inovações nos produtos e nas estruturas de securitização trazem benefícios, mas também aumentam a complexidade e tornam as operações mais difíceis de entender para investidores e reguladores.
O comitê disse ainda que as provisões para perdas no SFN continuam compatíveis com as expectativas, e que as instituições financeiras vêm aumentando suas despesas com provisões em resposta ao aumento das perdas previstas.
De maneira geral, o nível de provisão está alinhado com os modelos internos do Banco Central. Em alguns casos, há instituições com provisões abaixo do esperado, mas a maioria possui capital suficiente para cobrir possíveis ajustes.
O Comef concluiu que os testes de estresse mostram que o sistema é resiliente e capaz de suportar os impactos simulados, incluindo cenários severos como a quebra de confiança no regime fiscal.
Estadão Conteúdo.
