O presidente interino da Síria, Ahmed al-Sharaa, declarou neste sábado (19/7) um cessar-fogo imediato na área de Sueida, localizada no sul do país. Com a mediação dos Estados Unidos, Síria e Israel concordaram em interromper os combates entre tribos locais e combatentes drusos, que já causaram mais de 700 mortes, conforme dados do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).
Apesar do acordo, os ataques persistiram após a chegada de grupos sunitas para apoiar as tribos beduínas contra os drusos, uma comunidade com origens no Islã xiita. O governo sírio enviou uma força especial à região na tentativa de pôr fim ao conflito em Sueida.
Em pronunciamento na televisão, o presidente interino afirmou que o Estado sírio está comprometido em proteger todas as minorias e condenou os crimes ocorridos em Sueida. O acordo entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente interino, Ahmed al-Sharaa, foi anunciado pelo enviado dos Estados Unidos para a Síria, Tom Barrack.
Desde o dia 13 de julho, confrontos na cidade de Sueida, território da minoria drusa, e arredores resultaram em centenas de mortos. As tropas sírias foram retiradas após bombardeios israelenses em Damasco e outras áreas, que visavam impedir a presença do exército sírio próximo à fronteira.
Tom Barrack convocou as comunidades drusa, beduína e sunita a deporem as armas e a colaborar para construir uma identidade síria pacífica e próspera junto às outras minorias.
O presidente interino, Ahmad al-Sharaa, comentou que a retirada das forças governamentais visava evitar um conflito aberto com Israel, país que realizou bombardeios alegando defender a minoria drusa presente em seu território e nas Colinas de Golã.
Com o cessar-fogo, a segurança na região passou a ser responsabilidade dos drusos, porém o governo sírio os acusou de quebrar o acordo. Essa situação evidencia um dos maiores desafios do novo governo sírio, que prometeu proteger as minorias, mas enfrenta dificuldades diante dos recentes episódios violentos.
Situação humanitária grave
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha manifestou preocupação com o agravamento rápido da situação humanitária em Sueida. Segundo Stephan Sakalian, chefe da delegação na Síria, os hospitais enfrentam severas dificuldades para atender os feridos e doentes.
Moradores relatam falta de água, eletricidade e medicamentos. Rouba, funcionária do hospital público, informou que a unidade recebeu mais de 400 corpos desde segunda-feira. O editor-chefe do portal Suwayda 24, Rayan Maaruf, descreveu a situação como catastrófica, com escassez inclusive de fórmulas para bebês.
O alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, pediu rápida investigação sobre a violência na Síria, ressaltando a necessidade de cessar o derramamento de sangue e proteger todas as pessoas, além de responsabilizar os culpados.
De acordo com a Organização Internacional para as Migrações, aproximadamente 80 mil pessoas foram deslocadas devido aos confrontos. A comunidade drusa na Síria, concentrada em Sueida, contava cerca de 700 mil integrantes antes do início da guerra civil, em 2011.