Josué Seixas
Folhapress
A corretora de imóveis Daiane Alves dos Santos, 43 anos, foi assassinada com dois tiros após ser surpreendida no subsolo do prédio onde morava, conforme a Polícia Civil. Gravações feitas pela própria corretora ajudaram a entender como o crime aconteceu. O principal suspeito é o síndico Cléber Rosa de Oliveira.
O celular da vítima foi jogado pelo síndico em uma caixa de esgoto, onde foi encontrado depois de 41 dias. Daiane enviou dois vídeos e estava gravando um terceiro no momento do ataque planejado, segundo o inquérito.
Oliveira será acusado de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.
As imagens divulgadas em entrevista mostram a corretora caminhando até ser atacada, e o vídeo termina abruptamente. A polícia diz que o síndico desligou a energia para que ela fosse ao subsolo.
“Desde o começo, Cléber esperava por Daiane no subsolo. Ele estava com luvas, o carro com a capota aberta ao lado. Ele a aborda com capuz. O vídeo revela detalhes que provam a premeditação da emboscada”, explicou o delegado André Luiz Barbosa.
O suspeito teria ferido Daiane com um objeto dentro do condomínio e disparado na área de mata onde o corpo foi encontrado. Inicialmente, ele alegou que o tiro foi acidental durante uma briga no subsolo, mas as investigações contradizem essa versão.
A perícia informou que a arma usada foi uma pistola .380 semiautomática, com um projétil alojado e outro saindo pelo olho esquerdo da vítima.
O atestado de óbito aponta que Daiane morreu por traumatismo craniano causado pelo tiro na cabeça.
Ela estava desaparecida por 40 dias e seu corpo foi encontrado em estado avançado de decomposição, com DNA extraído dos dentes.
Cléber Rosa de Oliveira foi preso sob suspeita de matar a corretora, e seu filho, Maicon Douglas de Oliveira, foi detido suspeito de atrapalhar as investigações, mas terá sua participação descartada e será liberado, de acordo com a polícia.
O advogado de Cléber, Felipe de Alencar, confirmou que ele confessou o uso da arma para matar a corretora, mas afirmou que a defesa ainda não teve acesso ao relatório final da polícia.
A defesa de Maicon Douglas disse que a prisão foi uma medida extrema baseada em suspeitas infundadas, e apresentou provas que esclarecem que ele não participou do crime.
“Este desfecho exige reflexão sobre a presunção de inocência, que deve ser regra. O Estado não aceita pré-julgamentos nem execração pública”, afirmaram os advogados.
A investigação aponta que o motivo do crime foram desentendimentos entre Daiane e o síndico, iniciados quando ela se mudou para o prédio e começou a administrar os apartamentos da família, que antes eram geridos por Cléber.
A última imagem de Daiane mostra ela entrando no elevador às 19h do dia 17 de dezembro para ir ao subsolo conferir a falta de energia. Pouco depois, outra moradora também usou o elevador para o mesmo andar e não viu nada estranho.
Inicialmente, acreditava-se que o crime ocorreu nesses oito minutos. A perícia fez testes e confirmou que o barulho do tiro foi ouvido na portaria, mas encontrou pouco sangue no subsolo, indicando que a morte ocorreu em outro lugar.
Daiane desceu filmando a situação com seu celular, mostrando o síndico no local. O vídeo termina pouco depois de um grito dela.

