O sindicato que representa os trabalhadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Assibge-SN, denunciou que a demissão de uma gerente na atual administração de Marcio Pochmann é parte de uma sequência de perseguições dentro da instituição.
A servidora Ana Raquel Gomes da Silva foi exonerada do cargo de gerente da Gerência de Sistematização de Conteúdos Informacionais (GECOI). Ela será substituída por um servidor recém-contratado que ainda está em estágio probatório, seguindo um padrão já visto em outras demissões recentes na Coordenação de Comunicação Social.
Além disso, a equipe da GECOI terá seu local de trabalho mudado para um prédio distante 20 quilômetros do atual, em instalações que não foram reformadas adequadamente, o que o sindicato considera uma medida retaliatória.
Ana Raquel e sua equipe tinham questionado publicamente ações da gestão Pochmann, incluindo a divulgação de uma publicação oficial que continha conteúdo considerado propaganda política. Essa publicação, Brasil em Números 2024, trazia um prefácio elogiando programas do governo do estado de Pernambuco, o que contrariou recomendações técnicas internas.
O sindicato afirma que essas exonerações fazem parte de uma perseguição sistemática contra servidores que defendem a integridade técnica e histórica do IBGE, bem como uma comunicação institucional independente.
Recentemente, a gestão também promoveu mudanças na Coordenação de Contas Nacionais, responsável pelo cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do país, o que gerou pedidos de exoneração por parte de vários gerentes da área.
A servidora Rebeca Palis foi removida da coordenação, sem explicações claras ou um plano de transição, o que preocupa o sindicato devido ao impacto no trabalho técnico. Ela estava à frente de um importante projeto de atualização do sistema de contas do IBGE.
Apesar das mudanças e pressões, os servidores afastados continuam trabalhando em seus cargos até a divulgação dos dados do PIB de 2025, garantindo que o cálculo não será afetado.
O IBGE afirmou que a troca de coordenação está sendo realizada de forma dialogada para assegurar a continuidade dos trabalhos e a divulgação dos dados programados para 2026.
Desde agosto de 2023, quando assumiu a presidência do IBGE, Marcio Pochmann enfrenta críticas e protestos dos trabalhadores, que acusam a gestão de autoritarismo e retaliações contra quem questiona suas decisões.
