Debate na Câmara reuniu representantes dos trabalhadores para discutir a diminuição da jornada máxima semanal no Brasil, visando aprimorar a saúde mental, o convívio familiar e aumentar a produtividade dos profissionais.
Os sindicatos propõem, idealmente, baixar a carga de 44 para 36 horas semanais, mas, consensualmente apoiam a sugestão do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, de 40 horas semanais com duas folgas e sem redução salarial.
Márcio Ayer, presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, compartilhou dados que mostram que mais da metade dos trabalhadores sofre pressões ou assédio no trabalho e que um terço dedica mais de uma hora e meia diária apenas para se deslocar até o emprego. Segundo ele, a atual escala semanal prejudica não só o emprego, mas toda a vida do trabalhador, afetando sua convivência social e seu bem-estar.
Valeir Ertle, da CUT, enfatizou que a jornada de 44 horas, mantida desde 1988, contribui para o elevado índice de burnout entre brasileiros. Ele ressaltou o aumento significativo da produtividade por hora de trabalho graças à automação e à tecnologia, mas observou que esses ganhos não foram repassados para os trabalhadores. Ertle destacou ainda que é fundamental que o trabalhador tenha tempo para a família, religião e descanso, caracterizando a luta por essa mudança como uma defesa da vida.
Paulo Azi, relator da proposta, questionou sobre os possíveis impactos econômicos, custos para as empresas e o efeito na informalidade, além da capacidade das pequenas empresas de adotarem as alterações e o risco de restringir negociações coletivas se a escala for constitucionalizada.
Em resposta, Antônio dos Santos Neto, presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), defendeu a redução para 40 horas semanais na Constituição, deixando que as escalas sejam negociadas conforme a realidade de cada setor. Ele também rebateu as previsões pessimistas sobre a economia, alertando para custos ocultos provocados por jornadas longas, como pagamentos indenizatórios e perda de produtividade.
Antônio Santos citou o setor de tecnologia da informação em São Paulo, que já aplica há mais de uma década uma jornada de 40 horas com escala 5×2, apresentando resultados positivos em produtividade e maior atração de profissionais, fortalecendo a ideia de que eficiência econômica e dignidade no trabalho são compatíveis.
Ele complementou afirmando que pesquisas e indicadores mostram que, em muitos países europeus, seja por lei ou negociação, a diminuição da jornada trouxe benefícios sociais, melhor rendimento e responsabilidade social das empresas.
Canindé mencionou um estudo realizado no Reino Unido, o 4 Day Week Global, que avaliou 3 mil trabalhadores e revelou que 80% dos líderes empresariais consideraram a implantação de quatro dias úteis por semana um sucesso, associada a menor estresse, menos fadiga, menos insônia e melhorias na saúde física e mental.

