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domingo, 08/02/2026

Setores essenciais superam Bolsa e são opção em ano eleitoral

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FELIPE MENDES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Encontrar as ações ideais para investir na Bolsa pode ser complicado. Para reduzir os riscos, muitos especialistas sugerem focar em empresas que oferecem serviços essenciais para a população.

Essas companhias costumam pagar bons dividendos e possuem receitas mais estáveis, o que traz maior segurança para os investidores. Por isso, seu desempenho costuma superar a média do Ibovespa.

Um exemplo disso é o Índice Utilidade Pública (Util), que reúne empresas dos setores de energia elétrica, saneamento básico e gás natural. Em 2025, esse índice valorizou 65%, bem acima dos 34% do Ibovespa.

Embora tenha sido criado em 2012 pela B3, o fundo que acompanha o índice (ETF) só começou a ser negociado em setembro de 2025, valorizando 20% até agora, com 8% apenas em 2026. Desde o início de 2025, o índice subiu 78%.

Louise Barsi, analista CNPI e sócia-fundadora da Ações Garantem o Futuro (AGF), destaca que essas ações são procuradas em momentos de crise, pois funcionam como um porto seguro em comparação a outras, como as de empresas menores.

As principais empresas no índice são Sabesp (18,2%), Axia Energia (ex-Eletrobras) (17,2%), Equatorial (11,4%), Eneva (9,6%) e Copel (8,9%). Em 2025, Copasa valorizou 130,1%, Eneva 111,3% e Axia 106%.

O que são utilities

Esse grupo é formado por empresas que prestam serviços essenciais, com contratos de longa duração e receitas mais previsíveis, recomendadas para investimentos de longo prazo.

Além disso, as utilities são menos sensíveis a turbulências políticas, como as mudanças de governo. Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, lembra que, mesmo com juros altos, essas empresas conseguem pagar dividendos com consistência, o que é importante para quem quer segurança no ano eleitoral.

Apesar do aumento dos preços das ações do setor, os especialistas acreditam que empresas de energia elétrica e saneamento continuam interessantes para 2026, especialmente para quem busca bons dividendos.

Louise Barsi acrescenta que esse grupo é indicado para investidores com visão de longo prazo, que reinvestem dividendos e buscam uma estratégia conservadora.

Desafios

O crescimento das ações desses setores se deve a mudanças regulatórias que modernizaram os mercados. A expansão do mercado livre de energia e a chegada do capital privado ao saneamento, com a universalização do acesso à água e esgoto, são exemplos.

No entanto, a alta rápida dos preços exige cuidado dos investidores. O índice preço/lucro (P/L) ajuda a avaliar o potencial de retorno antes de investir, mostrando quanto tempo levaria para recuperar o valor investido.

Malek Zein, analista da Suno, compara o setor a renda fixa, com regulamentação rigorosa e barreiras de entrada, o que limita surpresas positivas.

O P/L atual do setor está acima de 12 vezes, indicando que algumas ações podem estar caras em relação ao retorno esperado, enquanto a média do último ano foi 8,91 vezes.

Segundo Malek Zein, as empresas já são negociadas com menor margem de segurança e menor expectativa de retorno.

Para Ângelo Belitardo, ainda há oportunidades em algumas utilities. No setor de energia, ele destaca CPFL Energia, Equatorial e Axia como ações resilientes e lucrativas. Em saneamento, cita Sanepar, Copasa e Sabesp, esta última valorizada pela privatização.

Outro ponto importante são questões regulatórias. O mercado de energia deve passar por leilões de baterias e incentivos para usinas hidrelétricas reversíveis, que ajudam a resolver o problema do “curtailment”, que reduz a geração para manter a estabilidade do sistema.

Louise Barsi diz que os preços de energia devem continuar altos em 2026, beneficiando geradoras com capacidade para contratos longos.

Ela também vê boas perspectivas para empresas de transmissão, que ficaram atrás da geração renovável, mas são essenciais para a segurança energética do país, esperando que boas regras favoreçam esse setor.

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