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Sete delegacias reabrem por 24h após determinação do MPDFT

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Com equipe incompleta, categoria reclama das condições de trabalho

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Eric Seba, diretor-geral da corporação: queda de braço com os servidores e pressão para entregar o cargo

A nova determinação do diretor-geral da Polícia Civil, Eric Seba, que exige a reabertura de sete delegacias em plantão de 24 horas, gerou críticas da categoria. Durante o movimento reivindicatório por reajuste salarial de 37%, o Departamento de Polícia Circunscricional (DPC) decidiu fechar unidades sem equipe completa (agentes, escrivães e delegados) após as 19h. Mas, pressionado pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), que recomendou a suspensão da ordem, Seba mandou voltar o funcionamento durante as 24 horas.

Terão de voltar com o horário em tempo integral a 15ª DP (Ceilândia Centro), a 16ª DP (Planaltina), a 24ª DP (Setor O, em Ceilândia), a 26ª DP (Samambaia Norte), a 27ª DP (Recanto das Emas), a 30ª DP (São Sebastião) e a 33ª DP (Vicente Pires). Uma ordem de serviço atualizada com a inclusão dos dias de início da reabertura e outras correções deve ser publicada hoje.
Desde 14 de setembro, apenas 12 unidades registravam ocorrência durante a noite e a madrugada: as oito Centrais de Flagrante, além da Delegacia da Criança e do Adolescente 1 e 2, a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) e a 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia). Outras 17 unidades (do total de 31 delegacias) continuarão funcionando das 9h às 19h nos dias úteis.
Ontem, delegados se reuniram com o diretor adjunto da Polícia Civil, Cícero Jairo Monteiro, para negociar a decisão. Eric Seba está em Porto Alegre, participando do Encontro Nacional dos Chefes da Polícia Civil. Por essa razão, nenhuma decisão concreta foi tomada no encontro. No entanto, Jairo ficou de dar encaminhamento para colocar mais servidores no plantão. Na visão de delegados, o horário integral é inconstitucional, porque, segundo eles, ultrapassa a carga horária semanal e mensal (mesmo com 24 horas ou 72 horas de descanso, dependendo do regime de escala).
O presidente em exercício do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil (Sindepo), Rafael Sampaio, explicou que os servidores não concordam com a forma que a ordem de serviço foi aplicada. “Não duvidamos que atividades-fim de investigação serão sacrificadas para atender a recomendação de um órgão externo. Quem tem de gerir a polícia é a direção-geral, e não o Ministério Público”, reclamou.
Na tarde de ontem, representantes do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) estiveram reunidos no MPDFT para tentar pressionar o GDF sobre a necessidade de convocar os 217 aprovados no último concurso. Hoje, haverá uma reunião na sede do Sinpol para tratar da reabertura das unidades. Na segunda-feira, está programada uma manifestação. Para o presidente da entidade, Rodrigo Franco, a ordem de serviço do diretor-geral não trata das medidas que serão tomadas para a reabertura das unidades policiais, como o retorno dos 180 policiais cedidos para outros órgãos e a volta dos 535 agentes policiais de custódia da Polícia Civil, então na Subsecretaria do Sistema Penitenciário. “Do jeito que está, fica parecendo que vão retirar servidores da investigação para colocar no plantão. As 24 horas de trabalho, além de serem desumanas, configuram carga horária semanal superior ao regime de 40 horas”, reclamou.
A Divisão de Comunicação da Polícia Civil (Divicom) informou que Eric Seba só se “manifestará diante de fatos concretos e não de especulações.”
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Após quarentena, OMS inicia investigação em Wuhan

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De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da China, eles poderão participar de seminários e visitas de campo

OMS: o mercado de Wuhan está fechado há mais de um ano e escondido atrás de tapumes. (Stringer/Getty Images)

Os especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) saíram da quarentena em Wuhan, prontos para iniciar sua investigação sobre as origens do novo coronavírus, uma investigação que, segundo o governo chinês, Washington está tentando politizar.

Após duas semanas trancados em um hotel da cidade, uma dezena de integrantes da equipe embarcou em um ônibus que os levou para outro hotel de uma grande rede internacional.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da China, eles poderão participar de seminários e visitas de campo.

A investigação, que a China demorou mais de um ano para organizar, é extremamente delicada para o regime comunista, que tenta se eximir de qualquer responsabilidade no aparecimento da pandemia.

Enquanto o país conseguiu conter os contágios em seu território, o vírus se espalhou pelo mundo e já deixou mais de 2,1 milhões de mortos.

O número oficial de mortos na China é de 4.636, a grande maioria deles em Wuhan (quase 3.900), uma cidade que foi mantida em quarentena por 76 dias a partir de 23 de janeiro de 2020.

Os especialistas do governo chinês explicaram inicialmente que a epidemia havia aparecido em um mercado de Wuhan, onde animais vivos eram comercializados. O vírus teria sido transmitido de morcegos para outras espécies animais antes de passar para os humanos.

Hipóteses

O mercado está fechado há mais de um ano e escondido atrás de tapumes.

Mas a mídia chinesa, controlada pelo Partido Comunista no poder, tem descartado essa teoria por outra, não comprovada, segundo a qual o vírus poderia ter sido importado para a China, principalmente por meio de carne congelada.

A OMS descartou a contaminação por alimentos, mas muitos chineses agora parecem convencidos de que a pandemia é de origem americana.

Até um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China sugeriu no ano passado, sem provas, que o vírus poderia ter sido introduzido em Wuhan no final de 2019 por soldados americanos que vieram participar de uma competição esportiva.

Fora da China, várias teorias também circulam, incluindo a de uma transmissão do vírus, acidental ou não, do laboratório de virologia de Wuhan, onde coronavírus são fabricados experimentalmente.
Tanto o laboratório quanto o governo chinês negaram essa hipótese, levantada em particular pelo agora ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Por enquanto, a OMS mantém a equidistância.

“Todas as hipóteses estão sobre a mesa. É claro que é muito cedo para se chegar a uma conclusão sobre a origem deste vírus, seja na China, ou fora dela”, disse diretor de emergências de saúde da OMS, Michael Ryan, na semana passada.

Pressão de Washington

No momento, o programa dos investigadores é desconhecido, e não há garantia de que poderão visitar o laboratório de virologia, ou o mercado.

Muitos especialistas temem que restem poucos traços da origem do vírus a serem descobertos.

A OMS havia sido acusada por Donald Trump de estar sob o comando de Pequim, mas o novo governo americano pediu na quarta-feira uma investigação internacional “clara e completa”.

“É fundamental que cheguemos ao fundo do aparecimento da pandemia na China”, disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki.

Washington avaliará “a credibilidade do relatório de investigação assim que for concluído”, acrescentou.
Pequim recebeu mal o aviso, e a diplomacia chinesa rejeitou a “interferência política” que poderia prejudicar “a busca por resultados científicos sérios”.

Além dos aspectos científicos, Pequim foi acusada de responder tardiamente aos primeiros casos de contaminação descobertos em Wuhan em dezembro de 2019, ou até antes.

Médicos que, na época, falavam do surgimento de um vírus semelhante ao da SARS foram acusados pela polícia de espalhar boatos.

A morte de um deles, Li Wenliang, deflagrou uma incomum polêmica contra o regime nas redes sociais em fevereiro do último ano.

Na semana passada, um comitê mandatado pela OMS determinou que “as autoridades chinesas locais e nacionais poderiam ter implementado medidas de saúde pública com mais vigor em janeiro” de 2020.

As famílias das vítimas da covid-19, por sua vez, acusam Pequim de tentar impedi-las de entrar em contato com os representantes da OMS e pedem que não se deixem enganar pela China.

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Política BSB

PSL negocia vice-presidência da Câmara em troca de apoio a Lira

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Assunto foi tratado nesta quarta-feira (27/1), durante café da manhã de deputados do partido com Bolsonaro; atualmente, o vice da chapa do candidato é do PL

(crédito: Luis Macedo/Camara dos Deputados)

Em café da manhã nesta quarta-feira (27/1) com o presidente Jair Bolsonaro, no Palácio da Alvorada, deputados do PSL confirmaram que votarão em Arthur Lira (PP-AL) na eleição para a presidência da Câmara, marcada para a próxima segunda-feira (1º/2). Uma das condições do partido, porém, é ocupar a vice-presidência da Casa em uma eventual vitória de Lira. Essa exigência deve trazer dor de cabeça para o candidato alagoano, que tem como vice da chapa, desde o início da campanha, o deputado Marcelo Ramos (PL-AM).

O PSL tem sido alvo de disputa entre as candidaturas de Lira e de seu principal adversário, Baleia Rossi (MDB-SP). Inicialmente, o partido apoiava o emedebista, mas 36 deputados da legenda, a maioria da bancada, decidiram aderir ao candidato do PP. O PSL está rachado em dois grupos desde que Bolsonaro se desfiliou da sigla, em 2019, em meio a uma disputa pelo controle da máquina partidária.

O café da manhã, que não constava da agenda oficial de Bolsonaro, reuniu 30 deputados do PSL. O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, também compareceu.

Na saída do encontro, Bolsonaro disse, em frente ao Palácio da Alvorada, que espera “participar e influir” na eleição para a presidência da Câmara. “Viemos fazer uma reunião, aí, com 30 parlamentares do PSL e vamos, se Deus quiser, participar e influir na presidência da Câmara com estes parlamentares, de modo que possamos ter um relacionamento pacífico e produtivo para o nosso Brasil”, afirmou o presidente.

O PSL tenta emplacar como vice na chapa de Lira o deputado Major Vítor Hugo (GO), que já foi líder da sigla na Câmara. Essa informação foi confirmada ao Correio por Bibo Nunes (RS), um dos presentes ao café da manhã. “Vamos tentar pegar a primeira vice com o Major Vitor Hugo. Vamos tentar, pois somos 36 deputados do PSL. A maioria”, disse Nunes.

O parlamentar gaúcho também fez campanha para Vítor em um vídeo divulgado pelas redes sociais, divulgado após o café da manhã. Nas imagens, ele apresenta o deputado goiano como “o homem da Mesa” e diz que, apesar de não ser astrólogo, o colega “será o vice-presidente, merecidamente, para o bem da Câmara e por bem dos aliados do presidente” Bolsonaro.

Maia

A interferência do chefe do Executivo na disputa interna da Câmara tem incomodado o atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), principal apoiador da candidatura de Baleia Rossi. Na terça-feira (26), Maia ligou para o ministro Ramos, responsável pela articulação política do governo, para reclamar da interferência do Planalto na eleição.

A disputa pela vice-presidência na chapa de Lira deve trazer algum desconforto para a relação entre o candidato e o PL, atual ocupante da posição. Como na eleição para a presidência da Câmara, o voto será secreto, qualquer movimento em falso dos candidatos pode abrir caminho para “traições” de última hora.

 

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Política BSB

Decreto que cria Política de Modernização do Estado é publicado no DOU

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Caberá ao Fórum Nacional de Modernização do Estado propor a adoção de modelos e estratégias nacionais ou internacionais que envolvam a temática de modernização do Estado

(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

O governo federal publicou hoje (27), no Diário Oficial da União (DOU), um decreto instituindo o programa a Política Nacional de Modernização do Estado (Moderniza Brasil) e o Fórum Nacional de Modernização do Estado. Segundo o decreto, a política tem por objetivo direcionar os esforços governamentais para aumentar a eficiência e modernizar a administração pública, a prestação de serviços e o ambiente de negócios para melhor atender às necessidades dos cidadãos.

A atuação se dará por meio da integração de ações de modernização já existentes, com coordenação, articulação, adequação, monitoramento e avaliação das políticas, programas, ações e iniciativas do Poder Executivo Federal, em parcerias da União com estados, Distrito Federal e iniciativa privada.

Entre os princípios da política estão o foco nas necessidades dos cidadãos; a simplificação normativa e administrativa; a confiabilidade na relação Estado-cidadão e a competitividade dos setores público e privado.

Caberá ao Fórum Nacional de Modernização do Estado propor a adoção de modelos e estratégias nacionais ou internacionais que envolvam a temática de modernização do Estado, auxiliar na elaboração de um plano de modernização e traçar as diretrizes para a concessão de um selo de modernização do estado criado com a política.

O fórum será presidido pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República e contará com representantes dos ministérios da Economia; Comunicações; Ciência, Tecnologia e Inovações; da Controladoria-Geral da União; da Secretaria de Governo da Presidência da República, e da Advocacia-Geral da União.

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Sob pressão, Baleia Rossi tenta conter dissidências e reduzir apoio a Arthur Lira

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No PSB, apoiadores de Lira dizem que não há 16 de 31 assinaturas necessárias para aderir ao bloco de Baleia

 

O crescimento da dissidência a favor de Arthur Lira (PP-AL) no DEM abriu uma crise entre os dois principais caciques do partido (Montagem/Exame)

A menos de uma semana da eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, a campanha de Baleia Rossi (MDB-SP) intensificou a operação para evitar mais “traições” a favor de Arthur Lira (PP-AL) que colocariam em risco suas pretensões. Baleia, apoiado pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está sob risco de perder votos em diversos partidos de seu bloco, como o PSB, PSDB, DEM, MDB e PT, para Lira, candidato do presidente Jair Bolsonaro.

Uma das maiores fragilidades da campanha está no PSB — apoiadores de Lira dizem que não há 16 de 31 assinaturas necessárias para aderir ao bloco de Baleia. A cúpula do partido pressiona para que os parlamentares fiquem fiéis ao candidato do MDB, mas há cerca de 18 deputados simpáticos a Lira no partido, na contagem dos apoiadores do deputado do PP.

Contra orientação de Maia, onze deputados do DEM já declaram voto em Arthur Lira

O crescimento da dissidência a favor de Arthur Lira (PP-AL) no DEM abriu uma crise entre os dois principais caciques do partido, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), e o presidente da legenda, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, dois antigos aliados. Onze deputados da sigla já afirmam que votarão em Lira, que tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro, e não em Baleia Rossi (MDB-SP), patrocinado por Maia.

Ainda há dois ministros do governo, Onyx Lorenzoni (Cidadania) e Tereza Cristina (Agricultura), que voltarão à Casa para votar no preferido do Planalto, somando 13 parlamentares. O DEM terá 30 votos na eleição, que ocorre na segunda-feira.

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São Paulo abrirá escolas públicas para oferecer merenda aos alunos

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Ao todo, serão 5 mil escolas que passarão a oferecer refeições aos estudantes a partir do dia 1º de fevereiro

João Dória em coletiva de Imprensa com Área do Governo e Área da Saúde Local: São Paulo/SP Data: 20/01/2021 (Governo do Estado de São Paulo/Divulgação)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta quarta-feira, 27, que, a partir do dia 1º de fevereiro, as escolas estaduais irão abrir, pelo modelo de revezamento para evitar aglomerações, a fim de oferecer merenda aos alunos da rede pública. Ao todo, serão 5.000 escolas que passarão a oferecer refeições aos estudantes.

“O objetivo é garantir a segurança alimentar, principalmente aos alunos mais vulneráveis, um total de 770.000 estudantes da rede pública estadual de ensino”, afirmou o governador durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Segundo o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, a partir deste período as escolas também estarão abertas para orientar os alunos a respeito do uso de tecnologias virtuais de aprendizagem, incorporadas à rede pública para garantir o aprendizado durante fase de capacidade reduzida das salas de aula.

Rio Pinheiros

Doria anunciou também a apresentação do Novo Parque do Rio Pinheiros. Segundo o governador, a área de lazer e esportes terá 8 quilômetros de extensão e 65.000 m2 de área verde. “As obras deste parque começam na próxima semana com previsão de 12 meses para sua conclusão. Até 28 de janeiro de 2022, o Novo Parque do Rio Pinheiros estará entregue à população”, disse. Segundo o governador, o investimento de 30 milhões de reais foi feito pela iniciativa privada.

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Política BSB

Inquérito no STF piora situação de Pazuello na Saúde

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Ministro do STF Ricardo Lewandowski acolhe pedido do procurador-geral Augusto Aras e dá sinal verde para a abertura de inquérito contra o titular da Saúde. Para Rodrigo Maia, a omissão na crise do oxigênio é suficiente para a abertura de CPI

(crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski acatou, ontem, o pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, e autorizou a abertura de inquérito contra o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para apurar a conduta dele na crise do Amazonas. O prazo inicial das investigações, que fica a cargo da Polícia Federal, é de 60 dias.

Lewandowski determinou que haja oitiva de Pazuello, para esclarecer as ações tomadas em relação à situação do sistema de saúde de Manaus, cinco dias após ser intimado e que sejam enviados os autos à autoridade policial “para fins de adoção das medidas investigativas que entender cabíveis, sem prejuízo do requerimento posterior pelo Ministério Público Federal de outras que se revelarem necessárias.” Ambos foram pedidos de Aras.

Na decisão, o ministro do Supremo traz informações colocadas pelo procurador-geral que apontam a demora do ministro a agir diante da crise. “Embora tenha sido constatado o aumento do número de casos de infectados pela covid-19 já na semana do Natal de 2020, o ministro da Saúde optou por enviar representantes da Pasta a Manaus apenas em 3/1/2021, ou seja, uma semana após ter sido cientificado da supra da situação calamitosa”, salienta Lewandowski.

A capital amazonense entrou em colapso pela falta de cilindros de oxigênio e com pacientes morrendo asfixiados em unidades de saúde. Pazuello admitiu que sabia da iminência da falta do insumo em 8 de janeiro, seis dias antes de o sistema mergulhar no caos. Foi devido a essa informação que ele e sua equipe foram para Manaus, no dia 9. Na ocasião, o ministro lançou um aplicativo que incentiva o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19.

A petição de Aras foi distribuída pela vice-presidente Rosa Weber a Lewandowski, que, logo em seguida, admitiu a solicitação do procurador-geral. Ainda no despacho, o ministro do STF cita outros trechos do pedido e um deles refere-se a um documento da pasta da Saúde relativo à crise de Manaus, de 6 de janeiro, que “citam-se como principais conclusões do encontro e da viagem de reconhecimento a Manaus a possibilidade iminente de colapso do sistema de saúde, em 10 dias, devido à falta de recursos humanos para o funcionamento dos novos leitos”.

Durante o período em que ficou em Manaus, pouco antes de o sistema colapsar, Pazuello ainda lançou o aplicativo TrateCov, que recomendava o tratamento precoce com a prescrição de medicamentos ineficazes contra a covid-19, como a cloroquina e ivermectina. O app foi tirado do ar na semana passada.

Desgaste

A crise de Manaus e o fato de que Pazuello sabia do iminente caos desgastaram o ministro e o governo. Por conta desse quadro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu, ontem, a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar a atuação do ministro durante a pandemia. “Em relação ao ministro, eu não tenho dúvidas que já tem crime. Pelo menos o ministro da Saúde já cometeu crime. Eu não tenho dúvida nenhuma”, disse.

O pedido de abertura de investigação feito pela PGR foi encaminhado à procuradoria pelo partido Cidadania, que argumenta que o ministro cometeu crime de prevaricação e improbidade administrativa. Presidente nacional da legenda, o ex-deputado Roberto Freire criticou a conduta de Pazuello diante da crise na capital amazonense.

No último sábado, data em que o PGR enviou o pedido de abertura de inquérito ao STF, Pazuello foi para Manaus, onde deve ficar “o tempo que for necessário”, segundo a pasta da Saúde. Depois que foi divulgado que ele sabia da crise da capital dias antes da explosão, o ministro disse, em uma coletiva, em 18 de janeiro, que nunca autorizou a produção de protocolos indicando medicamentos contra a covid-19 –– o que se choca com um protocolo na pasta que indica uso de cloroquina.

Olhar atento

Com o desgaste, o Centrão está de olho no cargo de Pazuello. O líder do governo, Ricardo Barros (PP-PR), foi ministro da Saúde no governo de Michel Temer e é um candidato forte. Mas, na avaliação do cientista político da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) Ricardo Ismael, apesar da pressão, Bolsonaro entende que o melhor é atravessar a pandemia ao lado do general. Isso porque Pazuello tem servido de escudo contra ataques à ineficiência do governo na crise sanitária.

“Acredito que Bolsonaro o manterá. Demiti-lo em meio ao caos da saúde jogaria luz na falta de política do governo para o novo coronavírus. Pazuello está desgastado com o caso de Manaus e o atraso na vacinação. Mas, por outro lado, tem evitado que a bomba estoure no colo do presidente”, observou.

Para Ribeiro, missão no MEC é “espiritual”

 (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou, durante um culto religioso, no último domingo, em Santos (SP), que seu papel na pasta do governo federal é “mais espiritual do que político”. A pregação na Igreja Presbiteriana Jardim de Oração, da qual é pastor, foi transmitida ao vivo e o vídeo estava no canal do You Tube da instituição, mas foi retirado do ar após divulgação das palavras dele.

“Nós queremos tirar o Brasil de um rumo de desastre, em que valores como família, como criação de filhos, o que é certo, o que é errado, pudessem ser novamente preestabelecidos. A Bíblia diz que haveria um tempo em que as pessoas iriam chamar o que é errado de certo, e o que é certo de errado”, pregou.

Ribeiro foi à cidade do litoral paulista para visitar um colégio onde foram aplicadas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e compareceu à igreja. No culto, ainda afirmou que o inquérito o qual responde no Supremo Tribunal Federal (STF) também tem a ver com algo que está na Bíblia.

“Até mesmo o inquérito que eu enfrento no Supremo Tribunal Federal tem a ver com isso, com algo que Jesus não tem nenhum receio de dizer que não é o caminho certo. Estou muito tranquilo, meu coração está tranquilo. Esse é um desabafo que eu faço com a minha igreja: meu coração está tranquilo. Porque não fui chamado ao Supremo Tribunal Federal para responder por desvio de dinheiro, nem por coisas erradas, mas porque eu disse o que a Bíblia diz e ponto final”, afirmou.

Homofobia
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo que fosse aberto um inquérito contra Ribeiro para apurar se cometeu crime de homofobia em uma entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, no segundo semestre do ano passado. Na ocasião, ele disse que o “homossexualismo (sic)” é “fruto de famílias desajustadas”. A PGR chegou a oferecer um acordo, no qual ele teria que admitir que cometeu crime ao fazer tal afirmação, mas o ministro recusou.

Ainda no culto, Ribeiro afirmou que “nunca houve no governo do Brasil um grupo de ministros com três pastores”. “E uma das coisas que eu tenho feito questão de dizer é que eu não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. Eu simplesmente não me envergonho. Eu simplesmente digo a todo lugar, a toda hora, a todo tempo, e fora de tempo, que eu creio, em quem eu creio e muitas vezes nas minhas reuniões no ministério eu falo a respeito da minha fé, daquilo que eu tenho por valor, por princípio”, afirmou.

O ministro acredita que “foi por isso que Deus” o colocou onde está. “Quero aproveitar as oportunidades, e Deus tem me dado essa oportunidade. Tem me dado uma oportunidade de ter conversas a sós com o presidente da República, de orar por ele, de pedir a Deus direção e sabedoria”, afirmou.

E completou: “Vivemos tempos diferentes. Por isso, eu quero crer que até as forças do inferno se levantam contra nós. Eu não tenho dúvida disso”. (ST)

Mourão elogia colega de caserna

O vice-presidente Hamilton Mourão saiu, ontem, em defesa de Eduardo Pazuello por causa do pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) de abertura de inquérito contra o ministro no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, existe muito “disse me disse” sobre a situação do titular da pasta da Saúde, que está em Manaus devido ao colapso no sistema hospitalar –– e não tem data para retornar da capital amazonense.

“Acho que a melhor linha de ação é que se chegue à conclusão do que aconteceu”, disse Mourão, quando perguntado sobre a situação do ministro da Saúde, que vem sendo duramente criticado pela gestão das vacinas contra a covid-19 e é apontado como um dos responsáveis pela crise da falta de oxigênio em Manaus, pois soube da baixa do suprimento três dias antes de começarem as primeiras mortes por asfixia.

“Eu tenho acompanhado o trabalho do ministro Pazuello. Sei que ele tem feito um trabalho meticuloso e de forma honesta e competente. Então, que se investigue e se chegue à conclusão do que aconteceu na realidade”, disse Morão, sobre o inquérito.

O vice minimizou a falta de insumos e imunizantes prontos para vacinar a população. Ele citou dados de outros países, afirmando que o impasse não ocorre apenas no Brasil. “Esse problema não é só aqui. O mundo inteiro acompanha o placar das vacinas”, disse Mourão.

Ruídos
Segundo ele, o Brasil poderá estar na quinta ou na sexta colocação mundial em número de vacinados “brevemente”, apesar de a imunização não significar um alcance satisfatório em relação à quantidade de pessoas. “A solução para o Brasil é mantermos os contratos (de vacinas) e acionarmos os contratos que foram feitos”, explicou.

Mourão enumerou “ruídos” em torno da vacinação contra a covid-19 e o colapso na saúde em Manaus, além da sucessão no Congresso, como razões para a queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro. De acordo com pesquisa do Datafolha, publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, na última sexta-feira, a avaliação positiva do governo (ótimo e bom) caiu de 37% em dezembro para 31% em janeiro, enquanto que a avaliação negativa (ruim e péssimo) passou de 32% para 40%.

“O governo está fazendo o possível e o impossível para ter um fluxo contínuo (de vacinação) e também aquela questão de Manaus. No momento em que isso for esclarecido, acho que diminuirá esse ruído”, afirmou, citando em seguida a eleição para as presidências da Câmara e do Senado. “Então, semana que vem eu acho que baixam um pouco as tensões”, observou.

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

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