Nathalia Garcia
FolhaPress
Belline Santana, servidor do Banco Central (BC) investigado no caso Master, foi afastado do conselho fiscal da Centrus, fundo de pensão dos funcionários do BC. A decisão foi tomada nesta terça-feira (10) pelo presidente do conselho deliberativo, Ailton de Aquino, que também atua como diretor de Fiscalização do BC.
O lugar de Belline Santana será ocupado por Eduardo Russolo Ferreira, chefe do departamento que cuida da contabilidade e do orçamento do BC, e que já era suplente no conselho da Centrus.
O afastamento ocorreu após orientação da equipe jurídica da Centrus para garantir o melhor caminho diante da situação inédita. Houve dúvidas até sobre a possibilidade do suplente assumir o cargo.
A reportagem tentou contato com Belline Santana por telefone e mensagem entre segunda (9) e terça (10), mas ele não respondeu. Sua defesa também não foi encontrada.
A Centrus é uma entidade fechada de previdência complementar para servidores do Banco Central. O conselho fiscal, composto por quatro membros, é responsável por fiscalizar a administração financeira do fundo.
Belline Santana assumiu como conselheiro em dezembro de 2024, com mandato de quatro anos, substituindo Everaldo Luis Bonetti. Economista e servidor do BC desde 1998, ele representava o patrocinador no colegiado.
Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor do BC, foram alvos de busca e apreensão pela Polícia Federal. O ministro do STF, André Mendonça, determinou que eles usassem tornozeleira eletrônica.
A investigação indica que Daniel Vorcaro, dono do banco Master, mantinha contato frequente com os dois servidores. Eles discutiam a situação regulatória do banco e trocavam documentos e propostas de normas. Os servidores teriam avisado Vorcaro sobre o monitoramento do BC ao banco.
O Banco Central identificou indícios de vantagens indevidas recebidas por esses dois servidores durante uma investigação interna sobre o caso Master.
