Brasília não é apenas conhecida pelo funcionalismo público, mas também tem uma economia privada forte baseada em serviços. Em 2024, o setor reuniu 42,4 mil empresas no Distrito Federal, empregou 435,8 mil pessoas e atingiu uma receita bruta de R$ 87 bilhões. Segundo a Pesquisa Anual de Serviços (PAS), publicada em agosto de 2024 pelo IBGE, o DF lidera a participação na receita desse setor na região Centro-Oeste.
As atividades que sustentam essa economia incluem alimentação, comunicação, transporte, tecnologia, consultorias, escritórios e serviços administrativos. O destaque está nos serviços profissionais, administrativos e complementares, que representam grande parte das empresas, trabalhadores e receita local.
Para o economista Felipe Silva, da Universidade Católica de Brasília (UCB), essa composição está ligada à estrutura econômica da capital, que é focada em serviços administrativos, financeiros, empresariais, tecnológicos e profissionais, ao contrário de outros estados com maior participação da agropecuária e indústria.
“A economia está concentrada em serviços, especialmente nos que têm maior valor agregado. Assim, os R$ 87 bilhões refletem não só o número de empresas, mas também a natureza da economia brasiliense”, explica.
Capital pública, demanda privada
A presença de órgãos públicos em Brasília também impulsiona a economia de serviços, ainda que a administração pública não faça parte da contabilidade da PAS. Segundo Felipe Silva, a concentração de entidades públicas e internacionais gera demanda para diversas atividades privadas, como tecnologia, comunicação, consultoria, serviços jurídicos, segurança e manutenção.
A alta renda da população local contribui para o consumo de serviços de educação, saúde privada, alimentação, lazer e serviços pessoais, criando um efeito multiplicador na economia.
O setor também se destaca no mercado de trabalho, com remuneração média mensal equivalente a 2,4 salários mínimos, terceira maior do país. Contudo, essa média inclui desde profissionais altamente especializados até trabalhadores com salários próximos ao mínimo.
Felipe Silva ressalta que o desafio é aumentar a produtividade e qualificação nas atividades que empregam grande número de trabalhadores.
Números presentes na rotina empresarial
O crescimento do setor pode ser observado na trajetória da empresária Gleyce Keli Gonçalves Feitosa, gestora de Marketing Digital, que ampliou sua empresa MKT Digital Gama de um serviço focado em posicionamento no Google para uma gama maior de serviços digitais em poucos anos, atendendo mais de 100 clientes.
Essa expansão reflete o perfil da economia brasiliense, onde os serviços de informação e comunicação são relevantes, gerando a segunda maior receita bruta do setor, com R$ 21,5 bilhões, e o segundo maior gasto com pessoal, R$ 4,9 bilhões.
Felipe Silva destaca que Brasília desenvolveu uma economia de serviços sofisticada que atende não só consumidores finais, mas também necessidades de outras empresas.
Empresas crescem e contratam diversos prestadores de serviços, como contabilidade, tecnologia, comunicação e serviços jurídicos, fortalecendo uma rede de suporte que sustenta o setor.
Daniel Soares, assessor econômico da Fecomércio-DF, observa que o setor é importante não só pela receita, mas também pela geração de emprego e renda, com mais de 42 mil empresas e 435 mil pessoas ocupadas.
Setor grande e com desafios
Daniel Soares afirmou que o setor de serviços tem uma base sólida e cresceu especialmente em áreas profissionais, tecnológicas, administrativas e serviços às famílias.
Algumas áreas cresceram mais, como informação e comunicação (+16%) e serviços profissionais e administrativos (+13,2%), enquanto transportes e serviços auxiliares tiveram queda (-2,3%).
Atividades que dependem do conhecimento têm maior vantagem em Brasília, enquanto setores com logística e custos operacionais elevados enfrentam dificuldades.
Apesar do crescimento, o setor enfrenta problemas como custos, carga tributária, acesso a crédito, modernização tecnológica e qualificação da mão de obra, principalmente para pequenos e médios negócios. A Reforma Tributária traz novos desafios.
José Aparecido Freire, presidente do Sistema Fecomércio-DF, ressalta a importância do setor como motor da economia local e aponta que é preciso transformar bons resultados em crescimento sustentável com mais produtividade, inovação e geração de emprego.
