Um grupo separatista que controla áreas do sul do Iêmen declarou a formação de um estado independente no país e iniciará uma transição política que deverá durar dois anos. Esta decisão, que aumenta a instabilidade na já frágil região do Oriente Médio, foi feita pública pelo Conselho de Transição do Sul (STC).
O território recém-anunciado recebeu o nome de Arábia do Sul pelo grupo e abrange partes do sul do Iêmen próximas à fronteira com a Arábia Saudita, uma região conhecida pela sua riqueza em petróleo.
No último mês, o STC intensificou sua ofensiva, conquistando as províncias de Hadramout e Mahra no Iêmen. A meta do grupo é restabelecer a independência do sul do país, que havia se unido ao norte em 1990.
Ao tornar pública a criação do Estado, os separatistas também apresentaram uma constituição composta por quatro capítulos e vinte e três artigos.
No comunicado oficial, o líder do STC, Al Zubaidi, pediu que a comunidade internacional patrocine o diálogo entre as forças do sul e do norte, que está majoritariamente sob controle dos Houthis desde o início da guerra civil no país.
O conflito civil no Iêmen teve início em 2014, quando os Houthis, apoiados pelo Irã, tomaram a capital Sanna e outras regiões. Desde então, o país permanece dividido, com diferentes áreas sob controle de grupos variados.
Para a comunidade internacional, o governo legítimo do Iêmen é representado pelo Conselho de Liderança Presidencial (CLP), estabelecido em 2022, que controla partes do sul e do leste.
Além disso, a situação no Iêmen é impactada por forças externas, como uma coalizão militar de países árabes e africanos liderada pela Arábia Saudita, que busca conter o avanço dos Houthis.
No final de 2024, houve um aumento das tensões após a Arábia Saudita realizar ataques contra o território iemenita. Segundo o porta-voz da coalizão saudita, Turk al-Maliki, a operação teve como alvo barcos em um porto iemenita, provenientes dos Emirados Árabes Unidos com armas destinadas aos separatistas do STC.
Apesar de integrar a coalizão contra os Houthis, os Emirados Árabes Unidos foram acusados de apoiar os separatistas do sul, o que o governo de Abu Dhabi nega.
Em resposta, o chefe do governo reconhecido internacionalmente, Rashad al-Alimi, encerrou um acordo de defesa com os Emirados Árabes Unidos e solicitou a retirada das tropas emiradenses do país até 30 de dezembro de 2024.
Enquanto isso, os confrontos entre forças sauditas e posições do STC no sul do Iêmen continuam a ser registrados nos últimos dias.

