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sábado, 29/11/2025

Senadores receiam crise inédita por rejeição de Messias e aguardam ação de Lula

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Em Brasília

Caio Spechoto e Victoria Azevedo
Brasília, DF (FolhaPress)

A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) feita pelo presidente Lula gerou preocupação no Senado. Muitos temem que, se o nome for rejeitado, isso provoque uma crise política sem precedentes recentes. A última vez que isso aconteceu foi no final do século 19, no começo da República.

Senadores divulgam que essa situação pode trazer prejuízos difíceis de prever para todos os envolvidos. A questão vai além do nome de Messias, que tem boa reputação no meio político. O principal ponto é que Lula precisa negociar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para tentar salvar a indicação.

Alcolumbre e muitos senadores preferiam que Lula tivesse escolhido Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga no STF. A escolha de Messias criou uma tensão entre Lula e o Senado, que é seu principal apoio legislativo nesta gestão. Alcolumbre já demonstrou publicamente seu descontentamento e pode bloquear a aprovação.

Nos bastidores, aliados de Alcolumbre dizem que ele pode ter exagerado ao se opor abertamente à indicação, pois é direito do presidente escolher os candidatos ao Supremo. Esta jogada política pode ser vista como uma interferência entre poderes, algo que normalmente é criticado na política brasileira.

Aliados de Lula acreditam que ele negociará com Alcolumbre para resolver o conflito, possivelmente propondo outras indicações em cargos menores, como a presidência do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e da ANA (Agência Nacional de Águas), que ficarão disponíveis em breve.

Porém, a crise reflete um problema maior na articulação política do governo, com aliados no Senado reclamando do pouco empenho do PT em apoiar projetos governamentais. Messias tem buscado apoio pessoalmente, conversando com senadores, inclusive com o relator da indicação, Weverton Rocha (PDT-MA), que é próximo de Alcolumbre. Essa relação pode abrir caminho para negociações.

Messias precisa de pelo menos 41 dos 81 votos para ser aprovado. Ele tem se empenhado para conversar com todos os senadores antes da sabatina marcada para o dia 10 de dezembro na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), quando a votação decisiva será realizada no plenário.

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