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Mundo

Senado dos EUA aprova orçamento grande e importante de Trump

Official White House Photo by Abe McNatt

Presidente Donald Trump conquistou uma vitória significativa nesta terça-feira, 1º, com a aprovação estreita no Senado de um grande projeto de orçamento. A lei inclui cortes fiscais, redução de gastos na saúde e financiamento para políticas de controle de imigração.

Republicanos veem essa legislação como peça-chave para o segundo mandato de Trump, mudando radicalmente o papel do governo federal e revertendo muitas ações do governo Joe Biden.

A chamada lei “grande e bela”, termo usado por Trump, volta agora à Câmara, onde enfrenta resistência de democratas e de alguns republicanos devido a cortes em saúde, subsídios para energia renovável e ajuda alimentar a pessoas carentes. O presidente estabeleceu o dia 4 de julho como prazo para sancionar a lei.

O projeto foi a causa da crise entre Trump e seu até então aliado Elon Musk.

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A aprovação no Senado foi por 51 votos a 50, com três republicanos — senadores Susan Collins do Maine, Thom Tillis da Carolina do Norte e Rand Paul de Kentucky — juntando-se a todos os democratas para votar contra, forçando o vice-presidente JD Vance a desempatar a votação.

Após uma intensa negociação de mais de 24 horas, líderes republicanos convenceram a senadora Lisa Murkowski do Alasca a apoiar a lei, oferecendo benefícios ao estado, inclusive uma medida que ameniza alguns impactos do projeto.

O projeto manteria cerca de US$ 3,8 trilhões em cortes fiscais do primeiro mandato de Trump em 2017, destinaria bilhões para defesa e controle de fronteira, e incluiria promessas de campanha como não taxar gorjetas e horas extras.

Embora comemorado pela ala republicana, o projeto gerou preocupação em militantes do partido e enfrenta resistência na Câmara, última etapa antes da sanção presidencial.

Antes da votação no Senado, vários republicanos criticaram o plano, mesmo assim aprovaram. O processo na Câmara foi desorganizado, com regras quebradas e negociações até o último momento.

Essa votação foi arriscada politicamente para os republicanos, que aceitaram um projeto que aumentaria o déficit e cortaria programas essenciais, como o Medicaid, algo impopular entre os eleitores.

Temendo contrariar Trump e evitar aumento de impostos no fim do ano, os republicanos se uniram em torno da proposta, por pouco.

Alterações feitas na versão do Senado aumentaram o custo e prepararam cortes ainda mais profundos que podem deixar milhões sem seguro saúde. Isso dividiu o partido, complicando a aprovação.

O pacote elevaria em US$ 3,3 trilhões a dívida nacional em dez anos, segundo o Escritório Orçamentário do Congresso. Para compensar, cortaria US$ 1 trilhão do Medicaid e outros programas de saúde, além do SNAP, programa de apoio alimentar. Cerca de 12 milhões perderiam cobertura médica, aponta o órgão técnico.

Republicanos defendem que a lei beneficiará eleitores da classe trabalhadora que ajudaram a eleger Trump e a dominar o Congresso.

O projeto amplia o crédito fiscal por filho e adiciona benefícios para idosos, além de criar contas de poupança para recém-nascidos e deduções para compradores de carros nacionais.

No entanto, a proposta é regressiva: as famílias mais pobres perderiam, em média, US$ 1.600, e as mais ricas ganhariam em torno de US$ 12.000 com os cortes, segundo o Escritório Orçamentário do Congresso.

A lei também perpetua três deduções fiscais para empresas que incentivam pesquisa e compra de equipamentos.

Combinados com tarifas de Trump, 80% das famílias mais pobres teriam renda líquida reduzida, conforme o Yale Budget Lab. A presidente do laboratório, Natasha Sarin, chamou o projeto de a maior transferência de riqueza dos mais pobres para os mais ricos na história moderna.

O orçamento destina quase US$ 170 bilhões para políticas de controle de fronteiras e imigração, uma das maiores verbas em segurança nacional, e US$ 160 bilhões para o Departamento de Defesa, incluindo o sistema de defesa de mísseis ‘Domo de Ouro’ proposto por Trump.

O pacote provocou desentendimento público entre Elon Musk e Trump. Musk criticou o aumento dos gastos públicos e ameaçou apoiar adversários republicanos nas eleições primárias. Também defendeu a criação do ‘Partido da América’, o que levou Trump a ameaçar cortar subsídios dos negócios de Musk.

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