Leonardo Cezar Ribeiro, secretário nacional de Transporte Ferroviário do Ministério dos Transportes, afirmou que não construir a EF-170, conhecida como Ferrogrão, é a pior opção para o meio ambiente. Ele comentou sobre a recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) para suspender o projeto da ferrovia.
Ribeiro participou do evento P3C 2026, organizado pela plataforma Necta e co-realizado pelo Estadão, o escritório Portugal Ribeiro & Jordão Advogados e a B3, que reúne governo, investidores e a iniciativa privada do setor de infraestrutura, no dia 24 de fevereiro em São Paulo.
O relatório técnico do TCU, elaborado por um auditor federal independente, sugeriu que o projeto da Ferrogrão seja suspenso para que sejam feitas audiências públicas e que as mudanças no projeto sejam discutidas com a população.
Ribeiro destacou a participação social significativa e as análises feitas nos últimos dois anos, e ressaltou o respeito à independência do TCU e seus auditores. Ele acredita que a decisão do TCU pode atrasar o leilão, que está previsto para setembro. A construção da ferrovia deve custar entre R$ 28 bilhões e R$ 36 bilhões e tem o potencial de reduzir os custos de transporte em mais de 30%.
Para o secretário, não construir a ferrovia traz um impacto maior para os povos indígenas e para as comunidades locais. O escoamento da produção do Centro-Oeste, se feito apenas por estradas, gera um efeito chamado “espinha de peixe”, causando mais impactos ambientais. Ele explicou que as rodovias geram ramificações, postos de combustível e outras estruturas que afetam a floresta de forma mais intensa, enquanto a ferrovia consiste apenas em trilhos, tendo um impacto ambiental menor.
Arco Verde
Na mesma manhã, Leonardo Cezar Ribeiro participou do debate “Diálogos sobre Infraestrutura” com Lilian Campos, superintendente de inteligência de mercado da Infra S/A, e Cloves Eduardo Benevides, subsecretário de sustentabilidade do Ministério dos Transportes.
Lilian Campos explicou que o movimento de cargas nos portos do Nordeste cresceu devido à produção de grãos. Ela destacou que onde existem portos, é essencial haver ferrovias, e a Infra S/A é responsável pela estruturação dos projetos do governo.
Um dos planos estratégicos discutidos é o Arco Norte, que integra portos e estações de transbordo em estados como Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Maranhão. Essas regiões são importantes para o escoamento dos grãos produzidos principalmente em Mato Grosso, aumentando as exportações para a Europa, o leste dos Estados Unidos e a China via Canal do Panamá.
O Arco Verde é um projeto que envolve diferentes meios de transporte, como ferrovias, rodovias e hidrovias. Os trechos por rios e mar são os mais difíceis de serem implementados, pois requerem modernização dos portos e desenvolvimento das embarcações, demandando grandes investimentos.
Ribeiro destacou o interesse do mercado financeiro no setor, afirmando que os investimentos oferecem ótimo retorno e alta rentabilidade.
Estadão Conteúdo

