ALÉXIA SOUSA E CARLOS VILLELA
RIO DE JANEIRO, RJ, E PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS)
Na primeira semana do ano, o preço do transporte público subiu em pelo menos seis capitais do Brasil.
Nas maiores cidades do país, São Paulo e Rio de Janeiro, as prefeituras e governos estaduais disseram que o aumento é para cobrir o custo do serviço, usando dinheiro público para não deixar o aumento muito alto para os passageiros.
Em São Paulo, a nova tarifa começou a valer na terça-feira (6). O preço da passagem de ônibus municipal foi de R$ 5,00 para R$ 5,30 (pela alta de 6%, que é maior que a inflação de 3,9% medida pelo IPCA).
O preço do metrô e dos trens da CPTM subiu de R$ 5,20 para R$ 5,40. O Bilhete Único integrado passou de R$ 8,90 para R$ 9,38.
A administração de Ricardo Nunes (MDB) disse que o aumento ficou abaixo da inflação que afetou o setor nos últimos anos.
Também explicou que, se não tivesse o dinheiro público, a passagem técnica de ônibus custaria R$ 11,78, mais que o dobro do preço cobrado do passageiro. O governo estadual disse que o reajuste aconteceu por causa do aumento dos custos para operação e manutenção.
No Rio de Janeiro, o aumento começou no domingo (4). A passagem de ônibus, BRT e VLT subiu de R$ 4,70 para R$ 5,00 (alta de 6,4%).
A prefeitura explicou que o preço pago pelo usuário não cobre o custo real do serviço: depois do aumento, o passageiro paga R$ 5,00, enquanto as empresas responsáveis recebem cerca de R$ 6,60 por viagem, e a diferença vem do dinheiro público municipal.
A gestão de Eduardo Paes (PSD) disse que está renovando o sistema de ônibus, mas isso não está ligado ao aumento da tarifa.
O metrô do Rio, que é responsabilidade do governo estadual, não teve aumento em 2026. A passagem cheia continua a R$ 7,90, e quem usa o Bilhete Único Intermunicipal paga R$ 5,00, com ajuda do governo estadual.
Em Belo Horizonte, a passagem de ônibus das linhas regulares subiu no dia 1º de janeiro, de R$ 5,75 para R$ 6,25. As linhas circulares e alimentadoras também tiveram reajuste, passando de R$ 5,50 para R$ 6,00.
A prefeitura contou que o cálculo do preço foi feito com base em metodologia da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), considerando custos como combustível, peças dos veículos, pessoal e manutenção.
Também falou que a prefeitura ajuda a pagar a passagem, e sem essa ajuda, o preço da passagem seria de R$ 10,30.
A gratuidade nas linhas que atendem favelas, válida desde 2023, continua, assim como o passe livre nos domingos e feriados, disponível desde dezembro de 2025.
Em Salvador, a passagem dos ônibus comuns, BRT e veículos do sistema alternativo subiu de R$ 5,60 para R$ 5,90 na última sexta-feira (2). É o preço mais caro entre as capitais do Nordeste.
O aumento anual é previsto em contrato com as empresas que administram o transporte da capital baiana.
A prefeitura prometeu renovar a frota, incluindo a entrega de 700 ônibus com ar-condicionado para o sistema, que tem 1.700 veículos. O objetivo é que todos os ônibus tenham ar-condicionado até o fim do mandato do prefeito Bruno Reis (União Brasil), em 2028.
O sistema de ônibus de Salvador recebe ajuda da prefeitura desde 2020. Para 2026, a Câmara Municipal aprovou R$ 67 milhões em subsídios.
Não houve aumento no metrô, que é de responsabilidade do governo estadual, onde a passagem custa R$ 4,10.
Em Fortaleza, a passagem do ônibus aumentou de R$ 4,50 para R$ 5,40 na sexta-feira (2). O preço da meia-passagem continua em R$ 1,50.
Em Florianópolis, o novo valor da passagem começou a valer no dia 1º de janeiro. O pagamento em dinheiro ou Pix subiu de R$ 6,90 para R$ 7,70, aumento de 12%. É o preço mais alto entre as capitais do Brasil.
A passagem pelo Cartão Cidadão, sistema de passagem rápida do município, subiu de R$ 5,75 para R$ 6,20, aumento de 7,8%. O Cartão Turista, usado por quem não mora na cidade e comprado nos terminais rodoviários, subiu de R$ 6,75 para R$ 7,20 (alta de 6,7%).
A prefeitura explicou que o aumento faz parte da revisão anual prevista no contrato com a empresa que opera o transporte e leva em conta inflação e investimentos para melhorar o serviço.
Desde o dia 5, o pagamento da passagem em dinheiro não é mais aceito dentro dos ônibus. Agora, só pode pagar em dinheiro nos terminais de integração.
O consórcio Fênix, que administra o serviço, disse que menos de 5% dos pagamentos eram feitos em dinheiro dentro dos ônibus.
