Pular para o conteúdo
Dólar R$ 5,08 ▼ 0,57% Euro R$ 5,87 ▼ 0,00% Libra R$ 6,84 ▼ 0,18% Bitcoin R$ 333.134 ▲ 0,34%
Brasil

Secas mais longas e fortes no sudeste até o fim do século, diz estudo

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um estudo recente realizado pela Funceme (Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos) e pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) aponta que os períodos de seca na região Sudeste do Brasil devem se tornar mais longos e intensos nas próximas décadas.

A pesquisa, publicada na Revista Brasileira de Recursos Hídricos, utilizou o índice Drip (Índice de Representação de Secas) para analisar a duração, severidade e intervalo entre os períodos de seca na bacia do rio Paraíba do Sul, que abastece cerca de 20 milhões de pessoas em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Os dados indicam que entre 2021 e 2060, as secas devem durar em média 13 meses, enquanto atualmente têm cerca de 9 meses. No período entre 2061 e 2100, a duração provável é de 16 meses. Além disso, a intensidade das secas deve aumentar, com o índice de severidade subindo de 7,35 para 18,35 até o fim do século.

Ályson Estácio, pesquisador da Funceme e um dos autores do estudo, explica que a severidade está relacionada à quantidade de água, sendo que quanto maior a severidade, menor será o volume de chuvas durante a seca.

O intervalo entre as secas, chamado de “período de retorno”, também deverá aumentar, passando de uma média atual de 18 meses para 20 meses entre 2021 e 2060 e depois para 23 meses entre 2061 e 2100. Esse indicador mostra o tempo disponível para recuperação dos recursos hídricos antes que uma nova seca ocorra.

Apesar do aumento no intervalo, Ályson Estácio alerta que os eventos de seca serão mais raros, porém mais intensos e duradouros, trazendo impactos mais graves para a região.

Para tentar amenizar os efeitos das futuras secas, os pesquisadores sugerem atualizações nos planos e projetos de represas para que considerem as mudanças climáticas. Uma das propostas é a criação de “gatilhos de seca”, que seriam acionados quando um reservatório atingir 60% de sua capacidade, permitindo que ações emergenciais sejam iniciadas mais cedo.

Além disso, recomendam uma gestão mais participativa dos reservatórios, envolvendo setores da sociedade para controlar e conscientizar o consumo de água em áreas como agricultura, indústria e abastecimento urbano, a fim de evitar o esgotamento rápido dos recursos.

Nesse contexto, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) declarou que seu planejamento para períodos de seca prolongados inclui ações para ampliar a segurança hídrica, diversificar as fontes de abastecimento, integrar sistemas, reduzir perdas e aumentar a capacidade de reservação.

Até 2030, a companhia prevê investimentos de R$ 7,8 bilhões para melhorar a segurança e a resistência hídrica na região metropolitana de São Paulo.

A Sabesp também utiliza tecnologias avançadas, como imagens de satélite com inteligência artificial, sensores em redes, válvulas automatizadas e operação remota para identificar vazamentos, controlar a pressão e melhorar a eficiência do sistema de abastecimento.

Publicidade
Boletim Imprensa Pública

Comece o dia bem informado

O essencial do DF, do Entorno e do Brasil, de graça, no seu e-mail.