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Brasília

Saudade e Fé: Famílias Visitam o Cemitério da Asa Sul

Thamires Pinheiro/Jornal de Brasília

Durante muitos anos, Lucy Del Frari Coutinho, 86 anos, começava o Dia de Finados de maneira igual. Ela ia ao Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, com o marido, Alcir, e a cunhada, Judith, para participar da missa das 8h. Com a perda deles, sua rotina mudou. Hoje, Lucy assiste a missa pela televisão, mas continua visitando o cemitério no feriado. Nesta segunda-feira (2), esteve lá para lembrar os familiares falecidos.

“Agora que eles se foram, no Dia de Finados eu os visito com muito carinho e boas lembranças”, disse.

A história de Lucy é parecida com a de várias outras pessoas que passaram pelos cemitérios do Distrito Federal durante o feriado, segundo a empresa Campo da Esperança. Desde cedo, visitantes chegam com flores e velas. Alguns aproveitam para limpar e cuidar das sepulturas, outros rezam ou se reúnem com familiares perto dos túmulos. O movimento foi grande na entrada do cemitério, com filas de carros para entrar.

Para muitos, a visita é um costume anual. É uma forma de manter vivo o laço com quem já partiu, lembrar momentos e juntar os familiares que nem sempre conseguem estar juntos.

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Também houve programação religiosa na Asa Sul, com sete missas entre 8h e 17h, organizadas pela Arquidiocese de Brasília. A missa do meio-dia foi conduzida pelo arcebispo de Brasília, cardeal Dom Paulo Cezar Costa, e transmitida pela TV Canção Nova.

Um dos locais visitados foi o túmulo de Ana Lídia Braga, menina de 7 anos assassinada em 1973. Sua sepultura se tornou um ponto de devoção, recebendo visitantes que acenderam velas e rezaram durante o feriado.

Para atender os visitantes, a concessionária Campo da Esperança, que administra os seis cemitérios do Distrito Federal, ampliou o horário de funcionamento. No feriado, as unidades abriram às 7h, uma hora antes do que de costume, e o acesso foi permitido até as 18h, com encerramento às 19h.

A coordenação esperava receber cerca de 400 mil pessoas nos seis cemitérios durante o Dia de Finados, mas não foi possível contar exatamente, já que os portões ficaram abertos o tempo todo.

“Com o acesso aberto, não conseguimos fazer a contagem exata de visitantes, mas esperamos um grande movimento durante o feriado”, afirmou.

A Secretaria de Justiça e Cidadania calculou cerca de 600 mil visitas entre 30 de outubro e 2 de novembro, considerando os quatro dias do período.

Para facilitar o deslocamento, foi oferecido transporte gratuito, com 11 vans circulando entre os quatro maiores cemitérios do DF, incluindo o da Asa Sul, com intervalos médios de 15 minutos. Também estavam disponíveis seis computadores para consultas e um totem de pesquisa. Houve aumento no número de funcionários e atendentes.

Equipes da Sejus-DF deram orientações sobre serviços funerários e cemiteriais, atendimento da ouvidoria e apoio psicossocial, oferecendo suporte para quem precisasse durante a visita.

Para Paula, uma das responsáveis pelo Campo na data, visitar o cemitério é uma forma de manter a conexão com pessoas importantes. “No Dia de Finados, as pessoas reservam um tempo para ir ao túmulo da família e, entre flores, lembranças e saudade, continuam próximas de quem já não está aqui”, concluiu.

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