Folhapress
Um policial militar com 35 anos de carreira foi punido por não seguir as regras sobre o comprimento do bigode, conforme o regulamento da Polícia Militar de Pernambuco.
O 2º sargento Samuel de Araújo Lima, que trabalha na Companhia Independente de Apoio ao Turista (CIATur), recebeu punição de três dias de detenção após um processo iniciado em outubro de 2025. Ele ainda não cumpriu a detenção, pois aguarda a notificação oficial e está recorrendo da decisão.
A corporação explicou que o policial não seguiu o padrão de aparência exigido no Manual de Uniformes, que determina que o bigode deve ter o comprimento máximo até a linha do lábio superior. A PM informou que esta não foi a primeira vez que Samuel desrespeitou as normas, pois ele já foi advertido em maio, junho e outubro, e recebeu orientações verbais antes de o processo ser formalizado.
Em nota, a Polícia Militar ressaltou que casos como este geralmente são resolvidos com orientações, o que não aconteceu devido à reincidência. Também destacou que a foto divulgada na imprensa não corresponde à aparência que motivou a punição, evitando que haja interpretações erradas sobre o caso.
O sargento não foi afastado do serviço, já que a punição é administrativa, prevista nos regulamentos internos da PM.
O advogado Tiago Reis, que defende o policial, afirmou que Samuel sempre manteve o mesmo estilo de bigode em eventos oficiais e cerimônias da corporação.
“A norma foi interpretada de forma muito literal, o que levou à punição por pequenas diferenças no comprimento do bigode. Isso levanta uma discussão importante: até que ponto regras sobre aparência são razoáveis, principalmente quando o comportamento não prejudica a segurança, o funcionamento ou a imagem da polícia?”, questionou o advogado.
Ele lembrou que, em setembro de 2024, Samuel foi elogiado pelo comandante-geral da PM após prender um suspeito de latrocínio no Recife. A homenagem aconteceu no Quartel do Comando-Geral, onde o policial estava com o visual que agora está sendo questionado.
Nesse dia, a PM divulgou o ato como um exemplo de coragem. Conforme a defesa, nunca houve problemas com a aparência do sargento antes dessa punição.
