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sexta-feira, 23/01/2026

Santa Casa vai votar aumento de vagas para medicina com protesto dos alunos

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ANDRÉ FLEURY MORAES
FOLHAPRESS

Na próxima terça-feira (27), o Colegiado Superior da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo vai decidir se aumenta o número de vagas do curso de medicina, que pode passar das atuais 180 para 234.

Essa decisão acontece enquanto os estudantes protestam, pois acreditam que o processo para abrir as novas vagas não foi claro e pode diminuir a qualidade do ensino.

A faculdade garante que cumpre todas as regras legais e tem reconhecimento nacional pela qualidade. Ela destaca que está crescendo, com mais cursos, melhorias nos prédios e nos locais de estágio, além de projetos sociais e pesquisas.

A Santa Casa informa que o curso tem as melhores notas no Enade e Enamed, além de nota máxima no Índice Geral de Cursos e no recredenciamento pelo MEC (Ministério da Educação).

O MEC também confirmou que a faculdade atende aos critérios para aumentar as vagas, e que as regras para isso são rigorosas para manter a qualidade do ensino médico no país.

Essa votação acontece um mês depois da saída da professora Giselle Burlamaqui Klatau do cargo de diretora do curso. A faculdade afirma que ela saiu por vontade própria, mas estudantes e professores discordam dessa versão.

Uma carta assinada pelo corpo docente, em 23 de dezembro, diz que eles não entendem o motivo da saída rápida da professora Giselle, sem que ela pudesse fazer a transição para a nova gestão, como seria o ideal.

O centro acadêmico também se manifestou dizendo que a saída dela foi “repentina” e que Giselle nunca pediu para sair imediatamente. Giselle não respondeu aos contatos da imprensa.

O centro acadêmico afirma que a troca na direção, no meio da discussão das vagas, cria um ambiente de pressão para calar estudantes e professores que tenham opiniões contrárias.

A Santa Casa afirma que já explicou a situação para a comunidade acadêmica e que a ex-diretora foi convidada a participar das reuniões oficiais para falar sobre o assunto.

Os estudantes acreditam que a opinião da direção teria mais peso se fosse contrária ao aumento das vagas, diferente da opinião de um professor.

Aumento de vagas discutido desde 2023

O pedido para abrir as 54 novas vagas foi enviado ao MEC em outubro de 2023 pelo reitor da faculdade, Carlos Alberto Herrerias de Campos, quase um ano depois de a instituição ter aprovado um plano que não previa aumentar o número de alunos até 2027.

A Santa Casa não comentou sobre essa informação. A votação vai decidir se aprova ou não o pedido, que já recebeu autorização inicial do MEC.

Os estudantes afirmam que, sem ampliar a estrutura atual, o aumento das vagas pode prejudicar o ensino. A faculdade não respondeu se tem um plano para lidar com isso, mas disse que continua investindo no ensino.

“Teremos mais professores? Eles vão receber melhor? Ainda não temos respostas e começamos a nos preocupar se a qualidade do ensino está sendo considerada. Os alunos começam as aulas em 9 de fevereiro e nenhum plano foi apresentado”, disse à Folha de S.Paulo a presidente do centro acadêmico, Júlia Larissa de Araújo Sousa.

Sem esse planejamento, a presidente explica que o estágio do curso, chamado internato, corre risco se não houver aumento dos supervisores no hospital da Santa Casa.

“Nos preocupamos não só com a qualidade, mas também com os pacientes.”

Os estudantes avaliam que o aumento de vagas foi acordado pela mantenedora da Santa Casa, a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, junto com a reitoria.

A nomeação do novo diretor do curso, Tercio de Campos, também teria passado pela fundação.

O centro acadêmico acredita que há interferência da mantenedora em assuntos que são acadêmicos, o que viola a autonomia universitária.

“É preocupante que essa indicação tenha sido feita por gestores financeiros, que não têm formação em educação médica nem experiência no curso, em vez de serem feitas pela direção acadêmica”, destacou o centro acadêmico.

O novo diretor disse à Folha de S.Paulo que foi “convidado a assumir o curso de medicina e, como ex-aluno da faculdade, aceitei essa responsabilidade”. Ele também disse que outras questões relacionadas ao curso estão sendo tratadas pelos órgãos oficiais da instituição.

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