Rússia e Ucrânia realizaram uma nova operação de troca de corpos de soldados mortos na guerra, em um gesto raro de cooperação humanitária entre os dois países desde o início do conflito. Nesta quinta-feira, Moscou devolveu os restos mortais de 1.000 militares ucranianos, enquanto recebeu da Ucrânia os corpos de 38 soldados russos.
A notícia foi confirmada pelo deputado da Duma Estatal, Shamsail Saraliyev, que faz parte do partido governista Rússia Unida, em declaração ao site russo RBC. A operação contou com caminhões refrigerados e contou com a participação da Cruz Vermelha Internacional, que ajudou logisticamente.
O Quartel-General de Coordenação da Ucrânia para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra também confirmou a repatriação. Em comunicado oficial, destacou que os corpos devolvidos passarão por um processo rigoroso de identificação, realizado por investigadores policiais e especialistas forenses.
Autoridades ucranianas compartilharam imagens que indicam que a troca pode ter ocorrido na região de Chernihiv, no norte da Ucrânia, perto da fronteira com Belarus, enquanto a região de Bryansk, na Rússia, é apontada como área de apoio logístico do lado russo.
Um raro ponto de consenso
A troca de corpos e prisioneiros de guerra permanece como um dos poucos mecanismos de cooperação mantidos entre Moscou e Kiev desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022. Esses acordos humanitários são negociados pontualmente, mesmo durante a escalada do conflito.
Dados oficiais indicam que, em 2025, foram realizadas 14 trocas de corpos, com 14.480 corpos devolvidos à Ucrânia e 391 à Rússia. O assessor presidencial russo, Vladimir Medinsky, afirmou que essas trocas fazem parte de acordos humanitários firmados em negociações diretas em Istambul no ano anterior.
A última operação ocorreu no final de 2025, quando Moscou devolveu 1.003 corpos de soldados ucranianos e recebeu 26 militares russos.
Esta recente troca acontece poucos dias após negociações trilaterais entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia em Abu Dhabi, onde foram discutidos possíveis caminhos para resolução do conflito e concessões territoriais preliminares por parte de Kiev.
