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Brasil

Rota de Flávio Bolsonaro até Argentina levanta dúvidas e pressiona PF

DANIEL RAMALHO/AFP

Há muita dúvida sobre o caminho que Flávio Bolsonaro fez de sua casa em Brasília até o aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina. Essas dúvidas geram vários rumores sobre uma possível fuga do senador em Foz do Iguaçu, último lugar conhecido dele no Brasil, e aumentam a pressão sobre a Polícia Federal para esclarecer o caso, algo que ainda não aconteceu.

Existem várias hipóteses, como viagens de carro, uso de pistas privadas e até ajuda do governo do presidente Javier Milei, mas nada disso tem provas até agora.

Flávio e sua família teriam atravessado a ponte internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, às 22h50 de terça-feira (27), segundo o governo argentino. Eles embarcaram em um jatinho particular para o Equador às 23h30.

O que ele fez entre as 17h de segunda-feira (26) — quando postou um vídeo dizendo que foi intimado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, a entregar o passaporte e garantir que não fugiria — até a sua saída continua sem explicação.

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Um agente informou que apenas um voo executivo chegou de Brasília no período da saída para Foz do Iguaçu, e que esse voo não foi da família do senador. Para usar o terminal executivo, é necessário atravessar o saguão dos voos comerciais, que é muito movimentado e coberto por câmeras.

A investigação policial está focada em três aeródromos particulares perto da fronteira: um em Foz do Iguaçu, outro em Santa Terezinha de Itaipu e um terceiro em São Miguel do Iguaçu. A polícia também procura pistas em Cascavel, cidade a 142 km de Foz do Iguaçu.

A falta de informações fez com que a Polícia Federal investigasse também outras rotas, como um voo direto de Brasília ou Rio de Janeiro para Buenos Aires ou outra cidade argentina. Caso isso seja verdade, indicaria que a Direção Nacional de Imigração da Argentina mentiu sobre o horário de entrada de Flávio em Iguazú.

Flávio Bolsonaro teve 63% dos votos válidos no segundo turno nas eleições de Foz do Iguaçu. Na cidade, muitos moradores acreditam na hipótese, divulgada pelo canal de TV argentino C5N, de que ele e sua família ficaram em uma fazenda local até cruzar a fronteira.

Há muitas propriedades rurais ao redor do aeroporto de Foz do Iguaçu, algumas oferecendo hospedagem como hotéis-fazenda e parques com campos de golfe, acessíveis por estradas de terra bem cuidadas.

Um funcionário de uma dessas propriedades ouviu o boato de que o senador teria ficado hospedado na região, mas mencionou que o dono poderia ser acusado de ajudar em um golpe, já que uma carta em que Flávio se autodenomina presidente começou a circular na mesma época.

Na cidade, a reportagem falou com funcionários de vários locais, que reclamaram da atuação do ministro Alexandre de Moraes e elogiaram a Polícia Federal por ter permitido a fuga de Flávio Bolsonaro.

Foi lembrado que Foz do Iguaçu é usada como rota de fuga por bolsonaristas com problemas legais. A deputada Carla Zambelli saiu do país pela cidade, assim como Silvinei Vasques, ex-chefe da Polícia Rodoviária Federal capturado no Paraguai.

O acesso à saída do país é facilitado pela estrutura precária da aduana brasileira, que possui prédios enferrujados e sem barreiras para carros que vão à Argentina. O controle de saída é feito apenas para estrangeiros.

A Polícia Federal afirmou que não há registro oficial da saída de Flávio Bolsonaro pelos postos migratórios brasileiros. Durante a visita da reportagem, nenhum carro foi parado na aduana por volta das 17h de quarta-feira (28). O controle existe apenas na Argentina, que verifica a entrada de estrangeiros.

A PF ressaltou ainda que não tinha autorização legal para prender ou monitorar Flávio no Brasil devido à ausência de medidas judiciais contra ele.

Segundo nota da PF: “A existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza foragido nem autoriza prisão, vigilância constante ou outras medidas cautelares”.

Vídeos divulgados na imprensa argentina mostram uma van de uma agência de turismo brasileira que teria sido usada pela família Bolsonaro durante a fuga. A empresa negou esse transporte em uma publicação que desaparece em 24 horas.

A empresa disse que a van estava no local para levar outros passageiros. Reportagem localizou o endereço registrado da empresa em Foz do Iguaçu, mas constatou que o local não funciona como empresa.

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