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Saúde

Riscos da perda de peso rápida com canetas sem orientação médica

Foto: AFP

VITOR HUGO BATISTA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Os medicamentos em forma de canetas para emagrecer revolucionaram o tratamento da obesidade recentemente. Porém, perder peso rapidamente com esses remédios pode causar problemas físicos e psicológicos, especialmente se o paciente não tiver acompanhamento profissional adequado.

Um grupo de especialistas europeus de três entidades dedicadas à obesidade e nutrição publicou, na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, um conjunto de orientações para profissionais da saúde que acompanham pacientes usando esses medicamentos. Esse consenso foi feito por EASO, EFAD e ECPO.

Os especialistas analisaram toda a pesquisa disponível até 2025 e criaram recomendações para médicos, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas que acompanham o uso de emagrecedores à base de incretinas, como a semaglutida (medicamentos Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro).

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Antes, o foco era só na quantidade de peso perdido. Agora, o importante é entender como essa perda acontece.

O endocrinologista Fábio Moura, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, reforça que o tratamento deve ser acompanhado por diferentes profissionais. “Não basta apenas usar o remédio e esperar resultados, é preciso garantir que o emagrecimento ocorra de forma saudável”, afirma.

O nutrólogo Guilherme Giorelli, professor do Hospital Israelita Albert Einstein, comenta que essa realidade é nova para os médicos. “Nunca tivemos remédios tão eficazes para a obesidade. Ao sentir menos fome, o paciente come menos, por isso é necessário que ele faça uma alimentação mais nutritiva”, explica.

Pacientes que usam esses medicamentos tendem a consumir menos proteínas, vitaminas, minerais e fibras, o que pode levar à perda de massa muscular, desnutrição e diminuição da capacidade física, principalmente em idosos.

Durante a perda de peso, recomenda-se consumir pelo menos 60 gramas de proteína diariamente, distribuídos nas refeições. Quando a dieta não é suficiente, suplementos como whey protein e shakes podem ajudar.

Também é importante aumentar o consumo de fibras, pelo menos 25 gramas por dia, para melhorar o funcionamento intestinal e evitar prisão de ventre, um efeito colateral comum.

Fábio Moura enfatiza: “Proteína adequada ajuda a evitar a perda de músculos, e fibras mantêm o intestino saudável”.

Além disso, o paciente deve beber de 2 a 2,5 litros de água todos os dias, pois a diminuição da sede pode causar desidratação.

O consenso alerta para a possibilidade de deficiências de nutrientes, uma vez que pessoas com obesidade já podem apresentar falta de vitaminas e minerais antes do tratamento. A restrição alimentar pode piorar esse quadro.

É importante monitorar a presença de ferro, vitaminas B12 e D, ácido fólico e zinco em pacientes com maior risco. Caso o consumo calórico fique abaixo de 1.200 calorias diárias, o uso de multivitamínicos pode ser indicado.

Os efeitos colaterais como náuseas, vômitos, refluxo, diarreia e prisão de ventre devem ser tratados com ajustes na dose do remédio e alterações na alimentação, e não com a interrupção imediata do tratamento.

Saúde mental e relação com a alimentação

O documento dedica atenção especial à saúde mental. Os medicamentos alteram a forma como as pessoas se relacionam com a comida, por isso os profissionais devem observar sintomas de ansiedade, depressão, transtornos alimentares e mudanças na busca por prazer e recompensa.

Alguns pacientes relatam diminuição da “fome emocional”, redução da compulsão alimentar e do que chamam de “ruído alimentar”. No entanto, isso pode causar efeitos inesperados, como perda da identidade, dificuldade em lidar com emoções e sensação de vazio, já que a comida cumpria um papel importante em suas rotinas.

Guilherme Giorelli explica: “A comida não é só energia, ela traz prazer e está ligada à vida social. Quando a pessoa deixa de usar a comida assim, podem surgir outros desafios emocionais. É necessário preparar o paciente para isso.”

Ele reforça que o objetivo do tratamento deve ir além do peso na balança: “Saúde é bem-estar físico, mental e social. A medicação ajuda, mas faz parte de um processo maior de mudança de hábitos para uma vida equilibrada.”

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