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domingo, 31/08/2025

Réu nega golpe e diz que processo custou emprego

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Ângelo Martins Denicoli, major da reserva do Exército, escolheu permanecer em silêncio durante o interrogatório no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é acusado de participar de um suposto plano golpista para manter Jair Bolsonaro no poder. Embora tenha se recusado a responder às perguntas, pediu para falar sobre o impacto do caso em sua vida pessoal, incluindo a perda de seu emprego.

A defesa de Denicoli informou que ele não responderia questionamentos da Procuradoria-Geral da República (PGR) nem da juíza Luciana Yuki Fugishita, do gabinete do ministro Alexandre de Moraes.

Mesmo assim, Denicoli se pronunciou, esclarecendo que saiu do Exército em 2013 e desde então não mantém qualquer vínculo com os militares. O major negou qualquer envolvimento e discordou das acusações apresentadas.

“Nunca servi com nenhum deles [generais]. Em 2013, migrei para a iniciativa privada e presto consultoria e inteligência de negócios. Não sou estatístico nem matemático. Não tenho qualificação alguma para fazer auditoria de urna. Nunca falei em fraude. Nem assessorei para a elaboração de nenhum documento”, declarou.

Ele também afirmou que não fez parte de nenhuma organização criminosa e não entende o motivo pelo qual o ex-ajudante de ordens Mauro Cid enviou mensagens para ele referindo-se a uma suposta tentativa de golpe.

“Não sou Forças Especiais. Este processo trouxe graves consequências para minha família. Perdi meu emprego, e a imagem de policiais entrando na nossa casa permanece na mente de minha esposa e filhos”, afirmou. “Tudo por conta de uma reportagem irresponsável e por ter encaminhado um contato em janeiro, meses depois. Por que o Cid me procurou? Sinceramente, não sei responder. Fui o azarado, talvez. Fui o escolhido”, completou.

Denicoli ocupou uma posição de liderança no Ministério da Saúde durante a gestão do general Eduardo Pazuello no auge da pandemia de covid-19. Além de estar sendo denunciado pela PGR, ele foi indiciado pela Polícia Federal (PF) no inquérito relacionado à tentativa de golpe, em novembro do ano anterior.

Réus do núcleo 4

  • Ailton Gonçalves Moraes Barros – major da reserva do Exército;
  • Ângelo Martins Denicoli – major da reserva do Exército;
  • Carlos Cesar Moretzsohn Rocha – engenheiro e presidente do Instituto Voto Legal;
  • Giancarlo Gomes Rodrigues – subtenente do Exército;
  • Guilherme Marques Almeida – tenente-coronel do Exército;
  • Reginaldo Vieira de Abreu – coronel do Exército;
  • Marcelo Araújo Bormevet – agente da Polícia Federal.

De acordo com a PGR, os membros desse grupo atuaram em ações estratégicas de desinformação para enfraquecer a confiança nas urnas eletrônicas e no processo eleitoral, além de tentar pressionar as Forças Armadas a se envolverem no plano golpista.

Eles enfrentam acusações de tentativa violenta de derrubada do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, danos qualificados e deterioração de patrimônio protegido.

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