TULIO KRUSE
FOLHAPRESS
O principal motivo por trás da morte do ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, ocorrido em setembro do ano passado em Praia Grande, seria uma vingança por prender assaltantes de bancos durante sua carreira policial.
O secretário estadual de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou estar certo de que essa foi a causa do crime na Baixada Santista.
Nesta terça-feira (13), três pessoas foram presas por supostamente apoiar e intermediar a ordem para o assassinato. Todas tinham histórico criminal em assaltos a bancos, segundo a polícia. Ruy Ferraz foi responsável por investigar e combater esse tipo de crime por muitos anos no estado.
“Todos eles tiveram contato direto com Ruy na época em que foram presos por roubo a banco, e ficou essa mágoa”, disse Nico. “Hoje estou seguro para dizer isso.”
O diretor do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), delegado Ronaldo Sayeg, explicou que a confirmação dessa hipótese dependerá da investigação, especialmente da análise de aparelhos eletrônicos dos suspeitos, como celulares e computadores.
A polícia apurou que os cinco suspeitos – três presos e dois foragidos – se reuniram em Mongaguá, também na Baixada Santista, em março do ano passado. O encontro teria sido em um bar próximo à casa de Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como Manezinho, que foi preso em Mongaguá.
Os presos são Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, 48 anos (apelidos Azul ou Careca), Marcio Serapião de Oliveira, 52 anos (Velhote), e Manoel Alberto Ribeiro Teixeira (Manezinho ou Manoelzinho). Todos são apontados pela polícia como membros do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Entre os foragidos está Pedro Luiz da Silva Moraes, 54 anos, ligado à liderança do PCC, e acusado de ordenar diretamente o assassinato.
Um advogado que já representou Azul em outro processo declarou não ter autorização para falar sobre o caso. A defesa dos demais suspeitos não foi encontrada.
Ruy Ferraz foi emboscado e morto com tiros de fuzil em Praia Grande em setembro do ano passado. Ele era secretário municipal de Administração da cidade litorânea.
Segundo denúncia do Ministério Público de São Paulo, o crime teria sido ordenado pela cúpula do PCC.
Oito pessoas já foram denunciadas pelo crime, que está sendo investigado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
Sete suspeitos foram denunciados por homicídio qualificado, porte ilegal de arma de uso restrito e tentativa de homicídio contra duas vítimas que estavam próximas ao cruzamento onde o carro de Ruy Ferraz foi atacado.
A oitava denunciada responde por favorecimento, por transportar um fuzil para um homem suspeito de participação no ataque.
Quatro presos durante as investigações não foram incluídos na denúncia e não foram presos nesta terça-feira.
