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Restrição calórica e jejum intermitente funcionam, afinal?

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Estratégias alimentares que pregam a redução da quantidade de calorias consumidas têm sido associadas ao aumento da longevidade

Em 1962 o professor Christian de Duve (prêmio Nobel), identificou um processo denominado autofagia (do grego auto = próprio e phagein = comer). Em 1990, o professor Yoshinori Ohsumi iniciou seus estudos sobre a autofagia e ao longo do tempo elucidou seus mecanismos em leveduras e mostrou que uma maquinaria sofisticada do mesmo tipo é usada pelas células do corpo humano, o que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 2016.

Autofagia e apoptose: a auto-limpeza do organismo

De forma simplificada, a autofagia consiste num processo de limpeza que o próprio organismo faz, eliminando estruturas celulares velhas ou defeituosas. As nossas células estão em constante modificação. Somente de proteínas, durante um dia, precisamos reciclar de 200 a 300 gramas. É claro que não ingerimos essa quantidade e é graças a autofagia que podemos reutilizar algumas de nossas próprias proteínas.

Em 1972 os cientistas Kerr, Wyllie e Curie apresentaram a apoptose (do grego apoptosis, apo = de, desde e ptosis = queda), numa referência à queda das folhas das árvores no outono. A apoptose é um tipo de morte celular programada, evitando que a célula se torne velha e doente, e estimulando a renovação celular.

Portanto, o organismo pode eliminar somente as estruturas celulares ruins (autofagia) ou mesmo a célula inteira (apoptose), mantendo a saúde celular e evitando o aparecimento de doenças e o próprio envelhecimento.

Falhas no processo

Infelizmente esses processos não funcionam perfeitamente e por isso adoecemos e envelhecemos. Sabemos que hábitos saudáveis, como uma dieta equilibrada, exercícios físicos, diminuição do stress, evitar o fumo, a poluição e manter o bem estar e a felicidade são fundamentais. Mas, além disso, muitos estudos têm sido feitos na busca de outras estratégias que possam melhorar a eficiência desses mecanismos.

O papel da restrição calórica

Uma dessas estratégias é a restrição calórica. Em 1935 McCay e seus colegas descobriram que, em ratazanas, uma diminuição da ingestão alimentar em 40% levava a um aumento da longevidade. Essa restrição alimentar diminui o stress oxidativo sobre as mitocôndrias (unidades celulares responsáveis pela produção de energia), mantendo-as mais saudáveis e estimulando a sua renovação.

Os estudos em humanos não são absolutamente consistentes, talvez porque seja tênue a diferença entre restrição calórica ou subnutrição e desnutrição. Um fato que pode falar a favor é que a grande maioria, se não a totalidade, dos indivíduos longevos são magros ou ligeiramente abaixo do peso.

A desnutrição parece ser um dos fatores que contribui para a morte em idosos pela sarcopenia (perda de massa muscular), condição que dificulta as atividades diárias e piora a qualidade de vida. Além disso, a restrição calórica não pode levar à deficiência de vitaminas e minerais e deve respeitar as condições individuais.

O jejum intermitente

A outra estratégia, corroborada pelo estudo do professor Ohsumi é o jejum. Ele estimula a autofagia e a produção do hormônio do crescimento, ou seja, promove a limpeza do “lixo” celular (autofagia) e a renovação das estruturas (hormônio do crescimento).

Ainda não se estabeleceu perfeitamente a duração desse jejum e é evidente que o exagero pode ser prejudicial. Os esquemas variam de 12 a 24 horas chegando mesmo ao extremo de 36 horas. Mesmo sem comprovação científica, o esquema mais adotado é o de 16 horas de jejum e 8 horas se alimentando. Isso parece contribuir para a somatória de efeitos da restrição calórica e da autofagia.

Importante lembrar que apesar de reconhecidos os mecanismos em seres humanos, inclusive relacionando-os à doenças como Mal de Parkinson, diabetes e câncer, esses estudos não foram realizados em humanos e sabemos que cada indivíduo necessita e reage de forma particular.

Deve-se levar em consideração os medicamentos utilizados, as condições de saúde, o tipo de atividade profissional, as doenças pré existentes e até mesmo o tipo e nível de atividade física executada.

O bom senso deve imperar

As notícias são muito otimistas. Nos dão esperança e uma enorme vontade de que tudo isso seja verdade e funcione perfeitamente, mas o bom e velho “bom senso” continua sendo um grande aliado. Nos dias de hoje qualquer texto lançado na rede facilmente se torna “verdade” (inclusive o meu!).

É preciso usar a ciência com critério e ética para o benefício da humanidade.

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Começam testes de primeira terapia de anticorpos contra novo coronavírus

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Pesquisadores canadenses estudaram mais de 5 milhões de células de pacientes curados da covid-19 para criar a droga

reprodução/Veja

A companhia canadense Eli Lilly começou os testes em seres humanos de um tratamento com anticorpos contra o novo coronavírus. A droga foi desenvolvida pela empresa junto ao centro de pesquisa sobre vacinas do governo dos Estados Unidos e com a AbCellera.

O medicamento foi criado com base na análise de 5 milhões de células do sistema imune de pacientes que se recuperaram da covid-19.

Os testes serão conduzidos por pesquisadores com um grupo de controle, em que uma parte dos participantes recebe um placebo, enquanto a outra recebe o medicamento. Nesta etapa de testes, 32 pacientes estarão envolvidos. O teste, vale notar, não é o mais cientificamente eficiente devido à baixa amostragem e à ausência de uma técnica mais sofisticada de testagem, como a abordagem chamada duplo-cego, na qual nem pesquisadores nem pacientes sabem qual medicamento é testado.

“Essa é a primeira terapia personalizada apresentada para a covid-19”, afirma, em nota, Carl Hansen, cofundador e presidente da AbCellera, empresa canadense dedicada à pesquisa e inovação sobre terapias e vacinas. Hansen foi anteriormente professor estudando microssistemas e nanotecnologia na Universidade da Colúmbia Britânica. “Devido aos anos de trabalho em nossa tecnologia, especificamente para resposta a pandemias, estávamos em posição de fazer a diferença.”

Até o momento, nenhuma terapia ou vacina tem aprovação clínica ou aval da Organização Mundial da Saúde para ser aplicada especificamente a pacientes infectados pelo novo coronavírus.

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Saúde

O surto do ebola está de volta — mas não deve ganhar o mundo

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Mais letal do que o novo coronavírus, o ebola tem menos tempo para se disseminar porque mata o hospedeiro. Porém, já existe vacina

Ebola: vírus causa febre hemorrágica com alta letalidade para humanos (Getty Images/Getty Images)

Em meio ao combate da pandemia do novo coronavírus, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou um novo surto do vírus ebola na República Democrática do Congo. O governo informou ter registrado seis casos da doença, que causaram quatro mortes.

“Isso é um lembrete de que a Covid-19 não é a única ameaça de saúde que as pessoas enfrentam. Apesar de muito da nossa atenção estar na pandemia do novo coronavírus, a OMS continua a monitorar e responder a muitas outras emergências de saúde”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. De 2013 e 2016, a febre hemorrágica ebola matou 11,3 mil pessoas no no oeste africano.

Especialistas consultados por exame. afirmam que um surto de ebola não ganhou o mundo no passado porque, diferentemente do novo coronavírus, ele é mais letal e tem um período curto de incubação.

Por isso, logo os sintomas aparecem e as pessoas são isoladas para evitar a disseminação do vírus. Além disso, com as restrições a voos internacionais e as medidas de distanciamento social recomendadas para conter o novo coronavírus, o vírus tem menor risco de se propagar — ainda que mereça a atenção de autoridades de saúde globais.

“Ser letal para o hospedeiro é ruim para qualquer vírus porque ele precisa se reproduzir. O ebola é assim mata mais e tem tempo de incubação curto. Não dá tempo de a pessoa infectar outros hospedeiros e, por isso, o vírus fica contido na África”, afirma o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

De acordo com Luiz Vicente Rizzo, diretor de pesquisa do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, não é intuito de qualquer vírus matar o hospedeiro. “Ele nem sabe que a gente existe. Para o vírus, somos depositários para se replicar. Não há interesse biológico em matar. 7% do nosso genoma é de vírus. Ele um dia foi vírus e agora se embutiu na gente. Não é efetivo para o vírus ser mortal”, disse.

Diferentemente do que acontece com o novo coronavírus, já existe uma vacina contra o vírus ebola. Desenvolvida e oferecida em tempo recorde, em cinco anos (considerando um período de 20 anos de pesquisas), a vacina já foi aplicada a mais de 200 mil pessoas e foi aprovada tanto pelos Estados Unidos quanto pela União Europeia por suas respectivas agências de saúde. “A autorização de comercialização da Comissão Europeia para a Ervebo é o resultado de uma colaboração sem precedentes, da qual o mundo inteiro deve se orgulhar”, afirmou, no fim de 2019, Ken Frazier, presidente da americana Merck (conhecida no Brasil como MSD), em um comunicado.

Uma vacina também é apontada por especialistas como a principal arma contra o novo coronavírus. Com ela, a população global poderá atingir o que se chama de imunidade de rebanho, um conceito de erradicação de doenças infecciosas devido à imunização de grande parte da população com vacinas e de uma pequena parcela que foi infectada e sobreviveu. Para Eduardo Medeiros, professor de infectologia da Unifesp, o novo coronavírus não pode ser comparados a outras doenças do ponto de vista de imunização da população. “A única solução para conter a covid-19 é a vacina, não há outra. Se você esperarmos pela imunidade de rebanho, teremos milhões de mortes. A mortalidade necessária para isso seria um absurdo”, disse Medeiros.

 

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Saúde

OMS deve retomar ensaio com hidroxicloroquina na luta contra covid-19

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OMS havia interrompido estudo do medicamento usado para tratar malária contra a covid-19 devido a temores de que aumentasse as taxas de mortalidade

Hidroxicloroquina: especialistas da OMS recomendaram a continuação de todos os ensaios de medicamentos contra o novo coronavírus (George Frey/Reuters)

A Organização Mundial da Saúde deve retomar seu ensaio clínico com a hidroxicloroquina para uso potencial contra o novo coronavírus, disse nesta quarta-feira o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, depois que os testes foram suspensos devido a preocupações com a saúde dos pacientes.

A OMS havia interrompido seu amplo estudo do medicamento usado para tratar malária contra a covid-19 devido a temores de que aumentasse as taxas de mortalidade e os batimentos cardíacos irregulares em pacientes.

Mas Tedros disse, em entrevista online a jornalistas, que os especialistas da OMS recomendaram a continuação de todos os ensaios clínica de medicamentos contra o novo coronavírus, incluindo com a hidroxicloroquina –que tem o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como grande defensor.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonarp também defende o uso da cloroquina e o Ministério da Saúde passou a recomendar a utilização do medicamento desde os sintomas iniciais da Covid-19, por pressão do presidente.

As autoridades da OMS também disseram na entrevista estar especialmente preocupadas com surtos na América Latina e no Haiti, um dos países mais pobres do mundo, onde as infecções estão se espalhando rapidamente.

O coronavírus já infectou quase 3 milhões de pessoas nas Américas.

 

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Distância de 2 metros reduz disseminação do coronavírus, diz estudo

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A transmissão da covid-19 tem maior risco de acontecer quando as pessoas estão a um metro ou menos de distância

Coronavírus;: o vírus se propaga de pessoa para pessoa, mas também pode permanecer em superfícies (Taechit Taechamanodom/Getty Images)

 

Para evitar o disseminação do novo coronavírus, é mais eficaz manter-se a dois metros de distância de outras pessoas do que apenas um. Ao menos, é isso que mostra um novo estudo publicado no jornal científico The Lancet.

Os pesquisadores analisaram um total de 172 estudos feitos em 16 países para chegar à conclusão.

A cada metro de distância que uma pessoa fica distante de outra infectada, o risco de disseminação cai.

Os pesquisadores citam um exemplo: a um metro de distância, o risco de transmissão é de 13%, enquanto a dois metros o número passa para apenas 3%.

O modelo analisou distâncias de um a três metros entre pessoas saudáveis e infectadas pelo novo coronavírus.

A pesquisa também mostrou que máscaras e proteções para os olhos reduzem os riscos de disseminação do vírus.

As máscaras diminuem o risco de 17% para apenas 3%. Já a proteção para os olhos mostrou uma redução de 16% para 6%.

O estudo pode servir de referência para estabelecimentos comerciais que consideram uma reabertura segura para seus clientes.

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Saúde

Proteínas no sangue de quem tem covid-19 podem prever gravidade da doença

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“Marcadores” poderiam levar ao desenvolvimento de um exame que ajudaria a prever o quão grave um paciente pode ficar quando infectado

 

Profissionais de saúde em um hospital de campanha em Niterói, no Rio de Janeiro, durante a pandemia de coronavírus (Luis Alvarenga/Getty Images)

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Uso de antibióticos na pandemia está deixando bactérias mais resistentes

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O aumento do uso de antibióticos para combater a pandemia de covid-19 pode provocar mais mortes, advertiu a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Coronavírus: uso de medicamentos para tratar a doença pode trazer efeito colateral (Jasni Ulak / EyeEm/Getty Images)

O aumento do uso de antibióticos para combater a pandemia de covid-19 aumentará a resistência bacteriana e em última instância provocará mais mortes durante a crise sanitária e depois, advertiu nesta segunda-feira (1º) a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, disse que há um “número preocupante” de infecções bacterianas que estão se tornando cada vez mais resistentes aos remédios usados tradicionalmente para combatê-las.

A agência sanitária da ONU se declarou preocupada de que o uso inapropriado de antibióticos durante a crise do coronavírus contribuirá para isto.

“A pandemia de COVID-19 levou a um aumento no uso de antibióticos, que provocará níveis maiores de resistência bacteriana e repercutirá no lastro da doença e nas mortes durante a pandemia e depois”, disse o diretor-geral em uma coletiva de imprensa virtual da sede da OMS em Genebra.

A OMS considera que só uma pequena parte de pacientes com COVID-19 precisa de antibióticos.

A organização emitiu um guia para que os médicos não administrem antibióticos ou profilaxia para os pacientes com formas brandas de COVID-19 ou a pacientes com forma moderada da doença sem que haja uma suspeita clínica de infecção bacteriana.

Tedros disse que as recomendações deveriam permitir fazer frente à resistência antimicrobiana, salvando vidas.

A ameaça da resistência antimicrobiana é “um dos desafios mais urgentes do nosso tempo”, advertiu.

“Está claro que o mundo está perdendo a capacidade de usar medicamentos antimicrobianos fundamentais”.

Alguns países recorrem a um uso “excessivo” de antibióticos, enquanto nos de baixa renda, estes medicamentos essenciais não estão disponíveis, o que leva a um “sofrimento desnecessário e à morte”.

Enquanto isso, alertou a OMS, a prevenção e o tratamento de doenças não transmissíveis foram seriamente alterados desde o início da pandemia de COVID-19 em dezembro, como demonstra um estudo feito em 155 países.

“Esta situação tem especial importância, já que as pessoas que vivem com estas doenças estão mais expostas à forma mais grave de covid-19 e à morte”, disse.

O estudo, feito durante três semanas em maio, concluiu que os países com renda mais baixa são os mais afetados.

Cerca de 53% dos países reportaram interrupção parcial ou total dos serviços para o tratamento da hipertensão, 49% no caso dos tratamentos para diabetes, 42% no câncer e 31% no caso das emergências cardiovasculares.

As razões mais comuns para a interrupção ou a redução dos serviços foram as anulações dos tratamentos previstos, um declínio do transporte público disponível e a falta de pessoal porque os trabalhadores sanitários firam realocados para o tratamento de casos de covid-19.

 

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