Um estudo recente do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) mostrou que a renda média das famílias urbanas no Distrito Federal é de R$ 5.424,77, e a renda por pessoa é de R$ 3.168,94. Esses dados vêm do Informe Distrital de Rendimentos, baseado na Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Ampliada (PDAD-A 2024), oferecendo uma visão detalhada da situação econômica das famílias na região.
Mesmo com uma renda média alta, o estudo mostra grandes diferenças entre as áreas do DF. O Lago Sul tem a maior renda média, com R$ 29.802,04 por domicílio e R$ 15.780,19 por pessoa, enquanto que no Setor Complementar de Indústria e Abastecimento (SCIA), que inclui a Cidade Estrutural e a Cidade do Automóvel, a renda por pessoa é apenas R$ 815,85. Esses valores são comparados ao salário mínimo de 2024, que é de R$ 1.412.
A renda domiciliar inclui todas as fontes de ganho dos moradores, como salários principais e extras, aluguéis, bolsas, investimentos e benefícios sociais. A renda por pessoa é a divisão dessa soma pelo número de habitantes de cada casa.
As diferenças de renda também aparecem conforme o tipo de emprego no DF. Os trabalhadores do setor público ganham em média R$ 10.523,66 por mês, militares ganham R$ 10.483,53 e empregadores, R$ 8.343,69. Já quem trabalha no setor privado ou como autônomo tem uma média salarial de até R$ 3.832,05, e os empregados domésticos ganham cerca de R$ 1.615,73. Isso mostra o grande peso do setor público na renda da capital e as desigualdades entre diferentes ocupações.
Francisca Lucena, diretora de Estatística e Pesquisas Socioeconômicas do IPEDF, explicou que as diferenças entre as áreas estão ligadas ao perfil da população. No Lago Sul, por exemplo, moram pessoas mais velhas, com mais estudo e empregos melhores, o que aumenta a renda por casa. A renda por pessoa também varia porque em alguns lugares, como a Estrutural, as famílias são maiores, reduzindo a renda individual.
Francisca também destacou que cerca de 35% dos empregos no DF são no setor público, o que ajuda a aumentar a renda média na capital.
Desigualdade entre regiões
O economista Matheus Portela, da VLGI Asset, disse que a desigualdade no DF está ligada às regiões, com algumas áreas tendo mais renda e infraestrutura, e outras enfrentando dificuldades como longos deslocamentos e menos empregos. Ele destacou que o setor público é o motor da economia local, mas isso também aumenta a diferença entre salários públicos e privados. O desafio é criar mais oportunidades no setor privado e diminuir a dependência dos salários públicos.
Matheus sugeriu que investimentos em transporte público, qualificação profissional, formalização de pequenos negócios e apoio à indústria local podem ajudar a distribuir a renda de forma mais justa. Sobre educação, ele afirmou que ela precisa estar alinhada com emprego e estágio para ter efeito real e destacou a importância da tecnologia para o futuro e das escolas técnicas para resultados mais rápidos.
Realidades diferentes no DF
Fábio Catramby, empresário morador do Plano Piloto, segunda região com maior renda do DF, acha que o custo de vida é alto, mas considera que sua renda familiar é suficiente para manter um bom padrão de vida, o que contribui para sua percepção positiva da qualidade de vida. Ele também percebe a desigualdade social no dia a dia, notando o aumento de moradores de rua na cidade.
Já na Cidade Estrutural, a realidade é mais difícil. Ana Cristina vive com o marido e três filhos ganhando apenas um salário mínimo, o que não cobre todas as despesas. Ela relata dificuldades para comprar remédios e até gás de cozinha, além de dizer que muitas famílias na comunidade enfrentam situação precária e precisam de mais atenção das autoridades.
