O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, declarou que o país pode reconhecer o Estado da Palestina, seguindo o exemplo recente da França, caso o governo de Israel não implemente esforços significativos para encerrar o conflito na Faixa de Gaza. O anúncio foi feito na terça-feira (29/7).
Em seu discurso de quase 4 minutos sobre a crise no Oriente Médio, Starmer pediu o fim do sofrimento na região e enfatizou que a solução para o conflito deve ser duradoura, envolvendo a criação de dois Estados. Contudo, ele ressaltou que o reconhecimento da Palestina só será feito caso Israel não promova ações concretas para terminar a guerra.
“Posso confirmar que o Reino Unido reconhecerá o Estado da Palestina durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro, a não ser que o governo israelense tome medidas eficazes para pôr fim à grave situação em Gaza, concorde com um cessar-fogo e busque uma paz sustentável e duradoura, renovando a esperança em uma Solução de Dois Estados”, afirmou Starmer.
De acordo com o líder britânico, essa solução implica também o restabelecimento da ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) e o compromisso de extinguir anexações israelenses na Cisjordânia ocupada.
Starmer também pediu ao grupo palestino Hamas que liberte todos os reféns ainda mantidos em Gaza, aceite o cessar-fogo em negociação com mediação dos Estados Unidos, Catar e Egito, que se desarme e deixe de participar do governo no território.
Em resposta, o governo de Israel, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, rejeitou as declarações de Starmer. Dirigentes israelenses classificaram a iniciativa como uma forma de “recompensa ao Hamas”, utilizando argumentos semelhantes aos usados contra outros países que manifestaram apoio ao reconhecimento da Palestina.
Crise humanitária em Gaza
Starmer defendeu essa posição após se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Escócia. Durante o encontro, Trump discordou de declarações feitas pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que negava a existência de fome em Gaza — onde pessoas têm morrido por falta de alimentos devido ao bloqueio imposto por Israel.
Desde o início da operação militar israelense na Faixa de Gaza, em outubro de 2022, mais de 60 mil palestinos perderam a vida. Estima-se que cerca de 147 dessas mortes estejam relacionadas à inanição e à desnutrição causadas pela escassez de suprimentos na região.