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quarta-feira, 25/03/2026

Regras para uso de IA no trabalho são aprovadas

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Lucas Ramos comenta: “O projeto ajuda a discutir os limites éticos e legais da automação”

A Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados aprovou uma proposta que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para regulamentar o uso da inteligência artificial (IA) no ambiente de trabalho, criando proteções contra discriminação causada por algoritmos e cuidando da saúde mental de trabalhadores sob controle automatizado.

A proposta é o Projeto de Lei 3088/24, do deputado Júnior Mano (PSB-CE), com modificações sugeridas pelo relator, deputado Lucas Ramos (PSB-PE).

A versão inicial do projeto impunha obrigações diretas para os empregadores, como transparência nos algoritmos usados em processos seletivos e multas fixas para descumprimento. A versão aprovada flexibiliza essas multas, retira os valores fixos e inclui a negociação coletiva como forma de defender empregos frente à automação, dando maior segurança jurídica.

Lucas Ramos destacou que o projeto coloca o país no debate mundial sobre os limites éticos e legais da automação, com ênfase no papel central do ser humano no trabalho.

Participação sindical e medidas de proteção

O texto aprovado determina que a introdução de tecnologias que afetem empregos deve envolver os sindicatos. Os pontos principais são:

  • Prevenção: empregadores devem tomar medidas para evitar danos à saúde física e mental causados pela supervisão por IA;
  • Papel dos sindicatos: a implementação da IA que afete empregos pode ser objeto de negociação coletiva para preservar postos ou reduzir jornadas;
  • Fiscalização gradual: o governo fiscalizará as regras, aplicando sanções em etapas, começando por notificações, advertências e depois multas.

Transparência e penalidades

O projeto exige que critérios usados por algoritmos em seleção e promoção sejam auditáveis e sem discriminação, além de criar um selo para empresas que adotem boas práticas.

A regulamentação das multas passará pelo Poder Executivo, que definirá os valores e criará um processo administrativo que prevê orientação e adequação antes da aplicação de punições financeiras.

Próximos passos

A proposta ainda será analisada pelas Comissões de Trabalho, Constituição e Justiça e de Cidadania, seguindo o trâmite legislativo.

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