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Brasília

Reginaldo Veras busca reeleição à Câmara com educação como principal marca

Professor Reginaldo Veras candidato à reeleição para deputado federal pelo Distrito Federal em 2026
Professor Reginaldo Veras, do PV, busca a reeleição para a Câmara dos Deputados em 2026.

Deputado federal do PV venceu as três últimas eleições que disputou e tenta renovar o mandato em 2026; trajetória ligada ao ensino público e crescimento nas urnas são ativos, enquanto pesquisa recente mostra uma disputa ainda aberta

O deputado federal Professor Reginaldo Veras busca a reeleição à Câmara dos Deputados em 2026 pelo Partido Verde (PV), com o número 4343. Professor da rede pública por mais de duas décadas, Veras construiu sua trajetória política especialmente em torno da educação, da valorização dos servidores públicos e da fiscalização de políticas do Governo do Distrito Federal.

Seu histórico eleitoral chama atenção pela trajetória ascendente: foram 12.506 votos para deputado distrital em 2014, 27.998 na reeleição de 2018 e 54.557 votos na eleição para deputado federal em 2022. Em três disputas consecutivas, conseguiu se eleger e ampliar sua votação nominal.

Da sala de aula ao Congresso Nacional

Nascido em Crateús, no Ceará, Reginaldo Veras chegou ainda criança ao Distrito Federal. Formado em Geografia, fez carreira como professor da rede pública antes de ingressar na política partidária.

Na Câmara Legislativa, exerceu dois mandatos e ganhou projeção principalmente pela atuação em temas relacionados à educação e aos servidores. Em 2018, foi o terceiro deputado distrital mais votado do DF, com 27.998 votos.

Em 2022, deixou a disputa distrital e conquistou uma das oito vagas do DF na Câmara dos Deputados, com 54.557 votos.

Educação continua no centro do mandato

No Congresso, Veras manteve a educação como principal área de atuação. Em 2026, é titular da Comissão de Educação, da qual também exerceu a segunda vice-presidência, e ocupa a vice-liderança da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.

Entre as propostas recentes está um projeto que pretende impedir que sistemas de inteligência artificial sejam utilizados para substituir professores na educação básica e superior. O parlamentar também tem participado da relatoria de projetos sobre formação continuada de professores, inclusão e transporte e alimentação escolar em regiões rurais.

No Distrito Federal, mantém uma postura de oposição ao grupo que governa o GDF e tem feito críticas à gestão de recursos da educação. Em março deste ano, levou ao Tribunal de Contas questionamentos sobre possíveis irregularidades no chamado Cartão PDAF.

Pesquisa mostra desafio para a reeleição

Apesar do histórico de crescimento nas urnas, a fotografia eleitoral de 2026 mostra que Veras ainda precisa ampliar sua presença durante a campanha.

Na pesquisa espontânea Correio/Opinião, realizada entre 30 de julho e 1º de agosto, o deputado apareceu com 0,4% das intenções de voto para deputado federal. Rafael Prudente marcou 1,8%, Julio Cesar Ribeiro 1,6%, Fred Linhares 1,3% e Fábio Felix 1,2%.

O levantamento, porém, mostra uma disputa extremamente indefinida: 67,2% dos entrevistados ainda não sabiam em quem votar para deputado federal. Isso reduz o valor de qualquer previsão definitiva neste estágio da campanha.

Emendas para ONG investigada geraram questionamentos

Entre os episódios que podem produzir desgaste está a destinação de recursos à Associação Moriá, entidade que posteriormente passou a ser alvo de questionamentos e investigação sobre a aplicação de emendas parlamentares.

Segundo levantamento publicado pelo Metrópoles, Veras destinou R$ 400 mil à associação: R$ 250 mil para apresentações musicais em feiras e R$ 150 mil para um cursinho preparatório para o Enem. A mesma entidade recebeu dezenas de milhões de reais de diferentes parlamentares e posteriormente teve pagamentos suspensos pelo Ministério do Esporte após as denúncias.

O episódio exige uma distinção importante: não há, nas fontes consultadas, indicação de que Reginaldo Veras seja acusado de participar das supostas irregularidades investigadas na entidade.

Em manifestação divulgada após a repercussão, o deputado afirmou que sua equipe verificou a situação jurídica da associação quando as emendas foram indicadas, em 2023, e que, após o surgimento das denúncias, a entidade deixou de receber novas destinações de seu mandato.

O tema pode voltar à campanha principalmente dentro do debate mais amplo sobre fiscalização e transparência das emendas parlamentares.

Quais são as chances de Reginaldo Veras?

Reginaldo Veras entra em 2026 com um ativo que poucos candidatos possuem: venceu as três últimas eleições que disputou e aumentou sua votação em todas elas.

Também possui uma identidade eleitoral bastante clara. Educação pública, servidores e pautas progressistas oferecem ao deputado uma base definida, especialmente entre profissionais do ensino e eleitores de esquerda e centro-esquerda.

Por outro lado, a disputa federal no DF é difícil: são apenas oito cadeiras. A pesquisa espontânea de agosto mostra Veras atrás de outros candidatos que também possuem mandato ou alto recall, o que sinaliza a necessidade de crescer durante a campanha.

A matemática da federação também terá peso. O desempenho conjunto de PT, PCdoB e PV será decisivo para determinar quantas cadeiras o grupo poderá conquistar.

Pelo histórico eleitoral, mandato em exercício e forte associação com a educação, Reginaldo Veras deve ser tratado como um candidato competitivo à reeleição, mas o cenário atual está longe de indicar uma vaga assegurada.

Seu maior desafio será repetir a capacidade de crescimento demonstrada nas três eleições anteriores e transformar uma base política bem definida em votos suficientes para permanecer entre os oito representantes do Distrito Federal na Câmara.

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