JOÃO GABRIEL, LUCAS MARCHESINI E CATIA SEABRA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O Grupo Fit, anteriormente conhecido como Refit, que é a refinaria Manguinhos pertencente ao empresário Ricardo Magro, afirma ter sido vítima de calote pelo Banco Master em operações de câmbio que totalizam R$ 1,4 bilhão.
Em comunicado à imprensa, o grupo, que atua no setor petrolífero, declarou que as transações são operações de câmbio registradas no Banco Central. No entanto, parte do valor não foi paga pelo Banco Master, e o grupo está buscando na Justiça o valor devido.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), obtidos pela reportagem, indicam que empresas ligadas ao grupo Manguinhos transferiram R$ 1,4 bilhão para o Banco Master entre outubro de 2024 e novembro de 2025, mas receberam somente R$ 5 milhões de volta.
O Banco Master não respondeu às solicitações da reportagem. Sua assessoria foi contatada via e-mail às 21h do dia 11 de novembro de 2025.
O Grupo Fit explicou que algumas das operações de câmbio não foram realizadas como planejado.
Uma das transações não foi concluída pelo Banco Master; ficou combinado que os valores seriam devolvidos em parcelas, mas o banco não reembolsou o montante total. Por isso, a refinaria apresentou reclamação ao Banco Central e solicitou na Justiça o bloqueio do valor pendente.
A Refit está atualmente em recuperação judicial após ter sido alvo de uma operação policial em novembro de 2025, que investiga possível prejuízo de R$ 26 bilhões aos cofres públicos. A empresa nega irregularidades.
A refinaria acionou a Justiça do Rio de Janeiro para bloquear R$ 53,1 milhões do Banco Master, relacionados à não realização de dois contratos de câmbio assinados em setembro de 2025. O pedido foi protocolado em novembro de 2025.
Segundo a refinaria, cada contrato deveria converter R$ 26,6 milhões em 18,4 milhões de dihrams, moeda oficial dos Emirados Árabes Unidos.
Os alertas do Coaf foram emitidos tanto contra a refinaria de Manguinhos quanto contra o Banco Master. Esses alertas são enviados sempre que transações financeiras suspeitas de irregularidades são identificadas.
O Banco Master aparece em quatro alertas diferentes, conforme os documentos obtidos. Em três deles, constam transferências de R$ 1,132 bilhão, R$ 163 milhões e R$ 133 milhões do grupo Fit para o Banco Master. O quarto alerta registra R$ 5 milhões enviados pelo banco ao grupo.
Um dos comunicados do Coaf destaca o envio de recursos a empresas com má reputação e possível envolvimento em lavagem de dinheiro, relacionado à transferência de R$ 133 milhões pela refinaria ao Banco Master.
A Polícia Federal investiga a Refinaria de Manguinhos e o Banco Master em procedimentos distintos e sem ligação entre si.
Ricardo Magro é apontado como o maior sonegador do país pelas autoridades, que afirmam que o negócio de combustíveis do grupo se baseia em um esquema com várias irregularidades, incluindo fraude aduaneira e sonegação de impostos, envolvendo todo o processo do porto até o posto de gasolina.
Em entrevista à Folha de S. Paulo em setembro, Ricardo Magro garantiu que suas empresas não praticam sonegação.
Já o Banco Master enfrenta duas investigações: uma sobre operações fraudulentas envolvendo o banco e o Banco Regional de Brasília (BRB), e outra acerca do uso de fundos de investimento para desviar dinheiro do banco.
Embora não estejam diretamente relacionados, as operações de Ricardo Magro, a Refit, Daniel Vorcaro e o Banco Master têm em comum a ligação com políticos do centrão.
