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sábado, 21/02/2026

Rede de trafico nacional apoiava lider do CV no Amazonas, diz delegado

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ROSINE CARVALHO
MANAUS, AM (FOLHAPRESS)

Uma ação realizada na sexta-feira (20) desmantelou um suposto núcleo ligado ao Comando Vermelho (CV) no Amazonas, que recebia dinheiro enviado por traficantes de diversas regiões do Brasil para Allan Kleber Bezerra de Lima, apontado como chefe do grupo segundo a polícia. O investigado não possui advogado até o momento.

Os valores transferidos variavam entre R$ 100 mil e R$ 700 mil. Conforme o delegado Marcelo Martins, havia uma rede de traficantes de diferentes estados contribuindo com dinheiro que era repassado a empresas-fantasma em Tabatinga, cidade na fronteira com a Colômbia.

Nesta operação, 14 pessoas foram presas: oito no Amazonas e seis em outros estados. A facção teria infiltrado membros nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, operando de forma organizada e com ramificações em outras regiões do país.

Empresas registradas em nome de Bezerra de Lima e de pessoas ligadas a ele eram usadas para movimentar o tráfico nacionalmente, desde Manaus e Tabatinga.

A investigação detectou também o envio de depósitos para servidores públicos da Prefeitura de Manaus, do Legislativo municipal, do Judiciário do Amazonas, assim como das Polícias Civil e Militar do estado.

Segundo Martins, não há ainda evidências suficientes para esclarecer a participação dos funcionários públicos ou o motivo da cooptação, sendo essa uma questão ainda em apuração.

A Prefeitura de Manaus afirmou em nota que não é alvo da operação e que o prefeito David Almeida e a gestão municipal não estão envolvidos. A administração municipal ressaltou que qualquer servidor sob investigação responderá conforme a lei, sem afetar o funcionamento da máquina pública.

A investigação teve início há cerca de quatro meses, após a apreensão de drogas sob a ponte Educandos, região portuária de Manaus próxima à delegacia.

Ao aprofundar as análises financeiras de Ferreira de Lima, dono do carregamento, foram identificadas transações e conversas envolvendo contatos com órgãos públicos.

Martins relatou declarações do investigado afirmando ter influência e dinheiro para resolver questões em diversas instituições públicas.

Os depósitos vinham de motoristas de aplicativo e pessoas com antecedentes por tráfico de drogas, conforme relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Entre os presos está Izaldir Moreno Barros, que foi motorista da desembargadora do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) Nélia Caminha Jorge até semanas atrás. O TJ-AM abriu apuração interna para investigar a conduta de Barros e declarou não compactuar com comportamentos inadequados.

Outra presa é a funcionária pública Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida e ligada politicamente a ele desde 2016. A investigação apontou repasses de cerca de R$ 1,4 milhão da parte dela à organização criminosa.

Martins destaca que o líder foragido adquiria pessoas para facilitar o trânsito em órgãos públicos.

A defesa de Anabela Freitas afirmou não ter acesso aos processos e pediu respeito à presunção de inocência, posição compartilhada pelo representante de Alcir.

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