NICOLA PAMPLONA
FOLHAPRESS
A Justiça de São Paulo confirmou o plano de recuperação extrajudicial da Raízen nesta quinta-feira (30), após receber a aprovação de 81,6% dos seus credores. Esse plano tem como objetivo reorganizar uma dívida que chega a R$ 61,4 bilhões.
A Raízen, que é controlada pela Shell e pela Cosan, do empresário Rubens Ometto, enfrentava dificuldades após um crescimento rápido e investimentos em novas tecnologias, incluindo tentativas não bem-sucedidas no setor de varejo.
Segundo comunicado da empresa, todos os credores que possuem dívidas quirografárias deverão optar por uma das duas formas de conversão da dívida previstas em lei. Parte dessas dívidas será convertida em participação acionária, com aproximadamente 45% da dívida transformada em ações ao valor de R$ 0,25 cada.
Os demais 55% da dívida serão convertidos em novos títulos, através de substituição, refinanciamento ou aditamento. A Shell se comprometeu a investir R$ 3,5 bilhões, e Rubens Ometto ainda avalia aportar R$ 500 milhões.
Além disso, a Raízen realizará venda de ativos e irá separar suas operações de combustíveis das produções de etanol e cana-de-açúcar, que estavam unidas desde 2011, quando a Shell e a Cosan formaram a empresa.
A empresa declarou que a aprovação do plano demonstra a confiança dos envolvidos na solução acordada para ajustar seu endividamento, unindo as necessidades de liquidez de curto prazo com uma estrutura de capital sustentável para o futuro.
Enquanto isso, a gestora IG4, responsável por grandes processos de reestruturação no país, estava negociando uma possível entrada na Raízen por meio da compra de créditos, mas ainda não se pronunciou oficialmente.
No último trimestre da safra 2025/26, de janeiro a março deste ano, a Raízen teve prejuízo de R$ 7,3 bilhões, quase três vezes maior que no mesmo período da safra anterior. No total da safra, o prejuízo acumulado foi de R$ 27,1 bilhões.
A dívida líquida da empresa ao final desse período atingiu R$ 58,2 bilhões, um aumento de 69,9% em relação ao trimestre anterior, encerrando o ano com um alto nível de endividamento.
