O Distrito Federal alcançou um recorde de abstenções no primeiro turno das eleições de 2026. Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no último domingo (4), 426.067 eleitores não foram às urnas para votar. Isso representa um aumento de aproximadamente 1,45 ponto percentual em relação às eleições de 2022, o que corresponde a 38.971 abstenções a mais neste ano.
O eleitorado apto do DF foi de 2.243.988 pessoas, das quais apenas 81% compareceram para votar. Em 2018, já havia sido registrado um aumento significativo, considerado recorde até então. Depois das eleições de 2014, quando 11,67% do eleitorado se absteve, em 2018 houve um aumento percentual de 7,06%.
As razões para a ausência variam bastante. Há quem tenha optado por não votar por preferência, enquanto outros foram impedidos por compromissos, imprevistos ou condições climáticas, como chuva. Sandra Rodrigues Costa, de 23 anos, residente na região do Cruzeiro, decidiu não votar porque não se identificou com nenhum candidato. Ela preferiu passar o dia de seu aniversário com a família. A principal preocupação de Sandra é a corrupção, e ela deseja mais confiança no futuro e nas instituições do país.
Mateus Alencar, que também não votou, é motociclista e afirmou que a chuva no local onde estava o impediu de votar. Mateus é artista e vota no Lago Norte. No dia da eleição, estava na Chapada dos Veadeiros por um compromisso, e justificou que a dinâmica do dia foi o maior obstáculo. Ele pretende votar no segundo turno e acredita na força coletiva para promover mudanças no país.
A alta taxa de abstenção não é exclusiva do DF. Em todo o Brasil, 21,07% dos eleitores aptos não votaram, a maior taxa desde 1998. Nas eleições presidenciais, mais de 33 milhões de eleitores não compareceram. O eleitorado nacional apto chegou a 158.745.502 pessoas. Cerca de 5% dos votantes anularam ou deixaram seus votos em branco.
O aumento no DF pode ser explicado por três fatores, segundo o cientista político Gabriel Lepletier: o envelhecimento da população, a impugnação inesperada do candidato Arruda (PSD) e desafios logísticos. Além disso, Gabriel destaca uma particularidade do DF — por não possuir municípios, quem estiver no Distrito Federal no dia da eleição não pode justificar a ausência, fazendo com que essas pessoas sejam contabilizadas automaticamente como abstenções.
Eleitores que não votaram e não justificaram a ausência no dia da eleição devem apresentar uma justificativa à Justiça Eleitoral dentro do prazo legal. Essa justificativa é necessária para cada turno em que o eleitor faltar, pois cada turno é considerado uma eleição distinta. O procedimento pode ser feito pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral, mediante apresentação da documentação que comprove o motivo da ausência.
Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF), eleitores que não votarem e não apresentarem justificativa válida ficarão com pendências junto à Justiça Eleitoral. Para regularizar a situação, será necessário pagar multa eleitoral de R$3,51 por turno em que houver ausência não justificada.
Vale destacar que uma única ausência não cancela o título de eleitor. O cancelamento ocorre quando o eleitor deixa de votar em três eleições consecutivas, sem justificar a ausência e sem pagar as multas correspondentes. Cada turno é considerado uma eleição. Com o título cancelado, o eleitor não consegue obter a certidão de quitação eleitoral e pode enfrentar restrições determinadas pela lei, como impedimentos para assumir cargos públicos, emitir passaporte, se matricular em instituições oficiais ou realizar atos que exijam quitação eleitoral.
