O real se fortaleceu frente ao dólar nesta quinta-feira, encerrando o dia cotado a R$ 5,10, diferente do que ocorreu com a moeda norte-americana lá fora, que subiu devido à alta do petróleo e ao aumento do risco global.
O mercado reagiu positivamente ao crescimento nas intenções de voto do Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, visto como favorável para a economia por investidores. Houve também suspeitas de que uma pesquisa favorável ao candidato tenha sido vazada, aumentando a confiança do mercado na possibilidade de mudança política.
No momento de maior otimismo, o dólar chegou a recuar para R$ 5,08, embora tenha fechado um pouco acima disso. No acumulado do mês, a moeda americana caiu 1,49%, enquanto o real foi um dos destaques positivos entre as moedas emergentes.
Ricardo Chiumento, chefe da Tesouraria do BS2, explicou que a valorização da moeda brasileira está ligada ao cenário eleitoral e à expectativa de uma possível mudança na política fiscal do país caso a oposição vença a eleição.
Enquanto isso, no exterior, o índice do dólar subiu moderadamente, influenciado por dados econômicos dos EUA e pela alta do petróleo, que pode pressionar a inflação americana e levar a um ajuste mais rigoroso na política monetária do Federal Reserve.
No Brasil, o Banco Central realizou operações de venda de dólares para manter a liquidez do mercado, mas com pouca influência na taxa de câmbio. Já o economista André Galhardo destacou que o BC pode estar atuando para atender à demanda por divisas em razão da volatilidade eleitoral.
Bolsa de Valores
O otimismo também influenciou a Bolsa de Valores, com o Ibovespa fechando em forte alta de 1,42%, atingindo 188.268,59 pontos. A expectativa de uma disputa eleitoral equilibrada vem levando investidores a apostar em ativos brasileiros, comprando opções que refletem essa confiança.
Norberto Sangalli, broker da Nippur, ressaltou que muitas dessas apostas ocorreram antes do previsto, refletindo a percepção de que o cenário político pode mudar em breve e favorecer uma valorização dos ativos.
Esse movimento na bolsa se dá principalmente pelo aumento das compras de calls, que impulsionam a valorização dos ativos pelo mercado à vista, criando um efeito em cadeia que fortalece ainda mais o índice e o ETF ligado ao mercado brasileiro negociado em Nova York, o EWZ.
Roberto Moura, da Grand Capital Invest, afirmou que as apostas mais concentradas em strikes elevados indicam uma expectativa de ganhos robustos caso haja uma mudança política significativa que impulsione a bolsa.
Juros
Os juros futuros caíram em resposta às pesquisas indicando avanço da oposição nas eleições presidenciais, o que sugere uma possível redução da taxa básica de juros (Selic) no futuro.
Levantamentos recentes confirmaram o crescimento da intenção de voto em Flávio Bolsonaro, embora tenha havido realização moderada de ganhos no mercado, com algumas taxas de contratos futuros apresentando variações diferentes.
A volatilidade também foi influenciada por rumores e suspeitas sobre vazamento de pesquisa, que impactaram as negociações durante o dia.
Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, observou que o noticiário político, incluindo investigações recentes que não vincularam diretamente o candidato a irregularidades, tem favorecido o otimismo no mercado, reforçando a expectativa de uma redução dos juros caso a oposição vença as eleições.
Quanto à atividade econômica, dados recentes do IBGE indicam estabilidade nos serviços, sugerindo que o Banco Central pode continuar ajustando a Selic com cautela no terceiro trimestre.
