Em São Paulo, 12, o real se valorizou ligeiramente contra o dólar, apesar da moeda americana apresentar alta leve. Esse movimento fez com que o real tivesse um desempenho inferior ao de outras moedas importantes dos países emergentes e exportadores de commodities, mesmo com o aumento dos preços do petróleo e do minério de ferro.
O movimento foi atribuído a ajustes técnicos, e não a mudanças na economia interna do Brasil, uma vez que o real é a moeda que mais se valorizou no ano até agora.
O dólar perdeu força globalmente devido a uma investigação contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), iniciada pelo governo de **Donald Trump**. Essa investigação levantou preocupações sobre uma possível interferência política no banco central americano, enfraquecendo o dólar no mercado internacional.
A moeda americana fechou em alta de 0,12%, cotada a R$ 5,3725, após oscilar durante o dia. No mercado futuro, o dólar permanecia estável, mostrando uma leve queda no acumulado do ano frente ao real.
Recentemente, em vídeo, **Powell** revelou que recebeu uma intimação do Departamento de Justiça dos EUA, com ameaça de acusação criminal, parte de uma pressão política do governo Trump contra sua gestão, especialmente por sua resistência em reduzir os juros de forma mais intensa.
**Étore Sanchez**, economista-chefe da Ativa Investimentos, comentou que a investigação foi vista com preocupação por parecer uma influência política de **Trump** sobre o Fed, afetando a confiança do mercado.
A porta-voz da Casa Branca, **Karoline Leavitt**, negou que **Trump** tenha instruído o Departamento de Justiça a investigar **Powell**, mas a análise indica que o próximo presidente do Fed, que deve ser nomeado no segundo trimestre, pode seguir uma linha mais branda em termos de política monetária, o que enfraqueceria o dólar e fortaleceria outras moedas.
Mercado de ações e commodities
No mercado brasileiro, o índice Ibovespa oscilou próximo à estabilidade, encerrando com pequena queda de 0,13%. Setores como financeiro tiveram desempenho negativo, enquanto empresas do setor metálico e de energia tiveram avanços modestos.
Nos Estados Unidos, os principais índices de ações também tiveram leve alta, mas com atenção às tensões políticas envolvendo o Fed.
Ex-presidentes do Federal Reserve, como **Janet Yellen**, afirmaram que a investigação contra **Powell** ameaça a autonomia do banco central americano e que os investidores deveriam reagir com mais preocupação.
Um comunicado conjunto de ex-presidentes do Fed alertou que interferências políticas podem trazer consequências negativas para a inflação e para a economia dos EUA, comparando a situação a países com instituições monetárias frágeis.
**Bruno Corano**, CEO da Corano Capital, afirmou que a tentativa de incriminar **Powell** parece uma manobra injustificada e que isso levanta dúvidas sobre a independência do Departamento de Justiça.
**Matthew Ryan**, estrategista da Ebury, destacou que, além do caso **Powell**, os mercados dos EUA focarão na divulgação dos dados de inflação ao consumidor de dezembro, evento especialmente aguardado devido a problemas anteriores na coleta desses dados.
Contexto doméstico e juros
No Brasil, a atenção está voltada para a reunião entre o Banco Central e o Tribunal de Contas da União, relacionada ao caso do Banco Master, uma investigação sobre a liquidação da instituição. O mercado observa essa situação como relevante para a autonomia do Banco Central.
O economista **Marcelo Boragini**, da Davos Investimentos, ressaltou que o adiamento do julgamento da questão para o dia 21 ajudou a reduzir incertezas no curto prazo, mas o tema permanece sensível para os investidores, especialmente estrangeiros.
Os juros futuros mantiveram um comportamento estável, devolvendo algumas altas recentes, em um cenário de liquidez reduzida e poucos eventos econômicos domésticos. As taxas dos contratos para 2027, 2029 e 2031 tiveram pequenas quedas.
Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos públicos americanos subiram levemente.
O diretor de pesquisa econômica do banco Pine, **Cristiano Oliveira**, comentou que a investigação judicial contra o Fed provocou uma pressão sobre o dólar, fazendo com que a moeda americana perdesse valor perante a maioria das moedas globais.
Durante o dia, o dólar voltou a apresentar estabilidade frente ao real, apesar do cenário externo, devido à influência da investigação contra o Fed e do movimento do mercado de juros americanos.
A economista-chefe da Mirae Asset, **Marianna Costa**, destacou que essa situação tem impacto sobre a autoridade monetária, não por mudanças na política de juros, mas como uma forma de pressionar a independência do banco central dos EUA.
Outro fator de alívio para os juros brasileiros foi a reunião entre autoridades do Banco Central e do TCU, que demonstrou cooperação entre as instituições, reduzindo riscos de medidas judiciais contra o Banco Central.
Com um cenário doméstico de poucos indicadores relevantes e expectativa de corte da Selic em março, os investidores acompanham o mercado com cautela.
Segundo **Flávio Serrano**, economista-chefe do banco BMG, as chances de cortes nos juros no início do ano variam conforme os contratos futuros, refletindo a expectativa de uma redução gradual da taxa básica de juros ao longo dos próximos meses.
Os dados são do Estadão Conteúdo.
