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sexta-feira, 09/01/2026

Reajuste do piso dos professores será pequeno e provoca pressão no MEC

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O aumento do salário dos professores no Brasil neste ano será dos menores já registrados, ficando abaixo da inflação. O salário inicial deve crescer de R$ 4.867,77 para R$ 4.885,78, um aumento de apenas 0,37%.

Essa atualização segue uma regra atual que está sendo questionada por especialistas, sindicatos e pelo Ministério da Educação (MEC). Essa regra determina que o piso salarial seja reajustado conforme o crescimento do valor que o Fundeb investe por aluno, que é o principal fundo de financiamento da educação.

A Frente Parlamentar Mista de Educação no Congresso pediu que o MEC tome providências. Segundo Rafael Brito, presidente da Frente, esse reajuste tão baixo não é aceitável porque não cobre nem a inflação.

Rafael Brito, deputado do MDB de Alagoas, espera que o governo federal apresente uma medida para garantir um aumento real no salário dos professores. Ainda assim, alguns estados podem recorrer à Justiça caso o MEC defina um reajuste maior do que o previsto em lei.

O MEC disse que está discutindo com secretários e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) uma nova forma de calcular o reajuste, possivelmente usando o INPC. As negociações ocorreram durante o ano, mas ainda não há acordo.

A CNTE, por sua vez, questionou o reajuste de 0,37% e pediu uma resposta rápida do MEC, reclamando da falta de uma regra clara para a valorização dos professores, conforme enfatizou Rafael Brito.

O MEC informou que a portaria oficializando o reajuste será publicada até o fim de janeiro. Fontes revelam que o ministro está preocupado com o aumento quase nulo em ano eleitoral.

Nos últimos anos, o reajuste foi maior: cerca de 6% em 2025 e 3% em 2024, mas ambos ficaram abaixo da inflação. Em 2022, o aumento foi de 33%, enquanto em 2021, durante a pandemia, não houve reajuste.

O cálculo do reajuste para 2026 foi feito com base na portaria publicada pelo MEC no fim de dezembro, que atualizou o valor mínimo investido por aluno no ensino fundamental, que passou de R$ 5.648,91 para R$ 5.669,79.

Esse fundo serve para financiar a educação no país e é formado pela redistribuição de impostos conforme o número de estudantes em cidades e estados.

Se a economia cresce e a arrecadação aumenta, o valor total do fundo também cresce. Por lei, o reajuste do salário dos professores deve seguir esse aumento.

Gestores públicos e o ministro da Educação, Camilo Santana, dizem que o atual sistema dificulta o planejamento financeiro de estados e municípios, já que a folha de pagamento dos professores é uma grande parte dos gastos.

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) também critica o mecanismo que vincula o aumento do piso ao valor por aluno do Fundeb, pois acredita que reajustes deveriam ser definidos pelos estados e municípios, que pagam os salários, e não pelo MEC.

Apesar da lei, somente 68,5% dos municípios brasileiros pagam o piso nacional dos professores, conforme o Anuário Brasileiro da Educação Básica do Todos pela Educação.

A média salarial dos professores no Brasil é de R$ 5.481, o que representa 86% do salário médio de profissionais de outras áreas com ensino superior.

Estadão Conteúdo

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