GABRIELA CECCHIN
FOLHAPRESS
Rafael Ribeiro Leite de Gois, de 47 anos, é o fundador e CEO da empresa financeira Fictor. Nesta quarta-feira (25), pouco antes de seu aniversário, ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal ligada a suspeitas de fraudes bancárias. A empresa informou que a única apreensão feita foi do celular do empresário e que esclarecimentos serão dados quando a defesa tiver acesso às investigações.
Gois é casado e iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda jovem, aos 16 anos, em uma empresa familiar de crédito. Ele é graduado e mestre em administração e está participando de um curso na Harvard Business School dirigido a donos e líderes de empresas.
Ao longo da carreira, Gois trabalhou em diferentes setores, incluindo a indústria e bebidas. Estagiou em uma fábrica de embalagens metálicas, onde permaneceu cerca de dez anos, chegando a gerente de cadeia de suprimentos. Também atuou na reestruturação da cervejaria Schincariol.
Antes de criar a Fictor, aos 29 anos, desenvolveu um sistema para plataformas petrolíferas offshore e fez investimentos no ramo de bebidas, ampliando sua experiência no mercado financeiro.
A Fictor foi fundada em 2007, inicialmente com foco em tecnologia, e depois passou a ser uma holding com negócios em várias áreas, como comércio de commodities, alimentos, infraestrutura, energia e serviços financeiros. O grupo tem escritórios em Lisboa e Miami, com áreas específicas para investimentos e meios de pagamento corporativos.
Em 2024, Gois assumiu a presidência do conselho da Fictor Alimentos, que opera unidades em Minas Gerais e Rio de Janeiro e que não faz parte do pedido de recuperação judicial da holding.
Recentemente, a Fictor ganhou destaque ao tentar comprar o Banco Master em parceria com estrangeiros, mas a negociação foi travada pelo Banco Central. A empresa entrou em recuperação judicial com dívidas acima de 4,2 bilhões de reais após problemas financeiros e a retirada de investidores.
A Polícia Federal investiga um esquema de fraudes contra a Caixa Econômica Federal que pode ter causado prejuízos superiores a 500 milhões de reais. Segundo a PF, o grupo usava empresas falsas e estruturas para esconder recursos ilegais e contava com a ajuda de funcionários de bancos para inserir dados falsos permitindo saques e transferências indevidas.
Os valores obtidos eram transformados em bens de luxo e criptomoedas para dificultar a detecção pela justiça.
A operação da PF inclui 21 prisões preventivas, 43 mandados de busca em diversos estados e bloqueio de bens, veículos e ativos financeiros.

