Cilia Flores, a primeira-dama da Venezuela, foi detida na madrugada deste sábado (3/1) junto com o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e transferida para fora do país após uma operação militar americana em Caracas. Advogada e deputada, Flores possui uma longa trajetória na política do país.
Conhecida oficialmente como “Primeira Combatente”, ela se consolidou como uma das figuras mais influentes na cena política venezuelana nas últimas três décadas. Flores iniciou sua carreira política fora dos holofotes principais, atuando como a advogada que liderou a defesa de Hugo Chávez após o fracasso do levante militar de 1992. Seu sucesso em garantir a libertação do então tenente-coronel, em 1994, fez dela uma peça central no movimento revolucionário.
Em 2006, Cilia Flores foi a primeira mulher a presidir a Assembleia Nacional da Venezuela, sucedendo Maduro. Em 2012, foi nomeada Procuradora-Geral da República, servindo como principal conselheira jurídica da União.
O título “Primeira Combatente” foi adotado para diferenciar sua imagem da tradicional esposa de presidente, reforçando seu papel como uma militante ativa do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
EUA e Venezuela
A situação na América Latina e Caribe se tornou mais tensa nos últimos meses, com os EUA iniciando ataques contra a Venezuela sob o pretexto de combater o tráfico de drogas internacional. Durante esse período, Maduro foi o principal alvo das ameaças do governo americano, que o acusa de ser líder do Cartel de los Soles, recentemente classificado pelos EUA como uma organização terrorista internacional.
Maduro demonstrou vontade de dialogar com o presidente dos EUA, Donald Trump, em entrevista concedida antes das operações militares. Em uma conversa no final de novembro de 2024, ambos tiveram um contato agradável. No entanto, o desenrolar posterior das negociações intensificou a retórica e ações militares americanas na região.
A ofensiva militar dos EUA, iniciada no segundo semestre do ano anterior, é acompanhada por uma forte presença naval e aérea, incluindo fuzileiros navais, navios de guerra, o porta-aviões USS Gerald R. Ford, um submarino nuclear e caças F-35. A operação, denominada Lança do Sul, tem como objetivo combater o tráfico de drogas na região e já resultou em mais de 20 embarcações bombardeadas em águas caribenhas e do Pacífico.
O presidente americano declarou que “os Estados Unidos concluíram um ataque abrangente contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e removido do país junto com sua esposa”. A ação foi realizada em conjunto com as forças de segurança dos EUA, e uma coletiva de imprensa está agendada para hoje às 13h no horário de Brasília.
Além disso, Maduro foi formalmente acusado e enfrentará julgamento em uma corte de Nova York por envolvimento em narcoterrorismo, conforme anunciado pela procuradora-geral americana, Pam Bondi, neste sábado (3/1).
