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Economia

Queixas contra Casas Bahia aumentam 65% e pedidos de entrega já são maiores que em 2025

Foto: Divulgação

GABRIELA CECCHIN
FOLHAPRESS

As reclamações feitas por clientes das Casas Bahia ao Procon-SP cresceram 65% de janeiro a julho deste ano comparado ao mesmo período de 2025. Esse aumento acontece enquanto a empresa enfrenta dificuldades financeiras e entrou com pedido de recuperação judicial no dia 16 de agosto.

Nos primeiros sete meses de 2026, foram registradas 10.617 reclamações, contra 6.437 no ano anterior, segundo dados do Procon-SP fornecidos à Folha de S.Paulo.

A Casas Bahia informou que suas lojas físicas e online continuam funcionando normalmente e que estão tomando medidas para assegurar o funcionamento contínuo, como garantir o estoque e a entrega dos produtos, visando manter o atendimento e a satisfação dos clientes.

O principal motivo das queixas é o atraso ou a falta de entrega dos produtos. Entre janeiro e julho de 2026, foram 3.672 reclamações desse tipo, superando em 13,5% as 3.234 queixas de todo o ano de 2025. Com os dados parciais de agosto, esse número já subiu para 3.858.

Historicamente, as reclamações aumentam no segundo semestre, especialmente em novembro e dezembro devido à Black Friday e ao Natal. Em 2025, os registros foram de 1.231 e 1.723 em novembro e dezembro, respectivamente, o maior volume mensal da série histórica do Procon-SP.

SITES DE RECLAMAÇÃO

No site Reclame Aqui, a avaliação das Casas Bahia melhorou de “Regular” para “Bom” entre junho e julho. Os principais problemas reportados incluem atraso na entrega, dificuldades para cancelamento e reembolso, produtos não recebidos e defeitos.

Consumidores relatam problemas semelhantes aos do Procon-SP. Uma cliente de Minas Gerais comprou uma geladeira e um fogão por R$ 3.828, pagos via Pix, com entrega prevista para 5 de agosto, mas não os recebeu. Após várias tentativas sem sucesso, cancelou a compra no dia 13 e ainda aguarda o reembolso.

Em Brasília (DF), um cliente espera há quase um mês o reembolso de um produto devolvido por estar danificado. O atendimento abriu vários chamados, mas o dinheiro não foi devolvido até o momento.

Há também relatos de demora para troca de produtos entregues incorretamente. Uma consumidora de Picos (PI) comprou móveis em março e descobriu que parte do guarda-roupa veio com a cor errada. O pedido de troca foi feito em julho, mas o recolhimento pelo transportador ainda não ocorreu.

Em visitas a lojas das Casas Bahia em São Paulo, funcionários disseram que o movimento caiu bastante desde a semana passada, mesmo com promoções e promoções de estoque.

A aposentada Maria Pereira, 63 anos, ouviu sobre a recuperação judicial pelas notícias, mas afirmou que continuará comprando na rede. “Gosto muito das Casas Bahia, tenho até cartão da loja. Fico triste pelos funcionários demitidos e lojas fechadas, mas enquanto entregarem meu produto, eles que resolvam os problemas deles”, disse.

No atendimento, Maria teve um problema com o cartão: ao perguntar o limite disponível foi informada de R$ 4.000, mas no momento da compra foi dito que o limite foi de R$ 3.000.

RECUPERAÇÃO JUDICIAL NÃO ALTERA DIREITOS

O pedido de recuperação judicial não impede os direitos dos consumidores nem permite que a empresa deixe de cumprir suas obrigações. Caso haja atraso na entrega, o cliente pode exigir o produto, aceitar outro similar ou cancelar a compra e pedir o reembolso, segundo o Código de Defesa do Consumidor.

É importante guardar nota fiscal, comprovantes, prazo e protocolos. Se a empresa não resolver, o consumidor pode buscar órgãos de defesa ou a Justiça.

O Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial à Justiça de São Paulo no domingo, declarando uma dívida de R$ 17,3 bilhões. O pedido ainda será analisado pela Justiça. A empresa enfrenta dificuldades com juros altos, crédito restrito, custos financeiros elevados e queda no consumo. No segundo trimestre, teve prejuízo de R$ 10,1 bilhões, contra R$ 555 milhões em prejuízo no mesmo período de 2025.

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