19.5 C
Brasília
sexta-feira, 03/04/2026

Queimadas dominam Roraima em março

Brasília
chuva fraca
19.5 ° C
20 °
19.5 °
100 %
1.5kmh
75 %
sex
23 °
sáb
25 °
dom
26 °
seg
26 °
ter
22 °

Em Brasília

FELIPE MEDEIROS E ADRIANA AMÂNCIO
BOA VISTA, RR E RECIFE, PE (FOLHAPRESS)

Roraima foi o estado com maior número de incêndios no Brasil durante o mês de março, respondendo por mais de um terço dos focos de queimadas em todo o país. Foram contados 602 casos, conforme dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Bahia e Mato Grosso aparecem em seguida, com 15% e 8% das ocorrências, respectivamente.

Nos meses anteriores, Roraima já havia registrado 219 focos em janeiro e 493 em fevereiro, um aumento significativo acima da média esperada para o período.

Nas últimas semanas, as chuvas começaram a cair na região, o que pode ajudar no controle dos incêndios.

Ramon Alves, meteorologista da Femarh (Fundação Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos), informa que o período chuvoso amazônico começa em abril, e isso deve reduzir os focos de incêndio.

O pico das queimadas aconteceu entre o final de fevereiro e meados de março, atingindo tanto áreas de savana quanto florestas próximas a regiões urbanas e rurais, causando fumaça tóxica e problemas respiratórios aumentados.

O governo estadual suspendeu a autorização para queimadas controladas em áreas rurais e estabeleceu multas para quem iniciar fogo sem permissão da Femarh.

Anderson Carvalho de Matos, comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Roraima (CBMRR), afirma que já foram registrados 1600 focos de incêndios principalmente nos municípios de Caracaraí, Rorainópolis e Normandia durante o ciclo 2025/2026.

Ele destacou que os incêndios têm origem humana, tanto criminosa quanto acidental. Nas cidades, o fogo é usado para limpar terrenos baldios, enquanto no campo serve para preparar áreas para plantio.

O clima seco e quente entre outubro e março contribui para o aumento das queimadas, com temperaturas elevadas e vegetação ressecada.

Desde novembro de 2025, a Operação Sem Fogo reúne bombeiros, brigadistas e integrantes do governo federal para combater e prevenir incêndios em Roraima, com ações preventivas em quase todos os municípios e combate ativo com centenas de profissionais.

CASA PERTO DO FOGO

Suerlene de Abreu Fuhrmann, autônoma de 58 anos, relata medo ao ver o fogo se aproximar de sua casa e da neta pequena na capital Boa Vista. A situação se repetiu em vários locais do estado, com pessoas assustadas e casas ameaçadas pelas chamas.

Bombeiros informam que parte do problema está ligada a práticas antigas, como queimar lixo, que facilitam a propagação do fogo.

SAVANA AMEAÇADA

Haron Xaud, pesquisador da Embrapa e professor da Universidade Federal Rural de Roraima, explica que as queimadas nas florestas não têm duração prolongada, e que a chegada da estação chuvosa deve evitar que fiquem mais graves.

No entanto, a savana e áreas de lavrado próximas a zonas urbanas queimaram intensamente, especialmente na região de Boa Vista, causando grande impacto na vida animal e prejudicando a qualidade do solo para a agricultura e pecuária.

FUMAÇA DENTRO E FORA DE CASA

Moradores da capital convivem diariamente com o cheiro forte de queimado e fuligem na atmosfera, o que afeta a qualidade de vida.

Amanda Souza, servidora pública de 36 anos, mudou-se para uma área verde, mas encontrou o ambiente tomado pelo fogo e fumaça, percebendo o problema até em sua casa. Ela relata que a fumaça persiste mesmo após as chamas sumirem, deixando o ambiente cinzento e sujo constantemente.

Os efeitos da poluição são sentidos nos hospitais locais, como o Hospital da Criança Santo Antônio, onde o pequeno Estevão, de um ano, ficou internado devido a problemas respiratórios agravados pela fumaça. A mãe, Angela Silva Pinheiro, conta que a casa ficou completamente cinza, como se estivessem no meio da fumaça.

A médica Mayara Floss, da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, alerta que as partículas finas liberadas pelas queimadas são extremamente pequenas e podem penetrar profundamente no corpo, aumentando o risco de doenças respiratórias, infartos, AVCs e câncer. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com condições de saúde existentes são os mais vulneráveis.

Veja Também