Comparando os anos de 2014 e 2024, observamos que os adultos do Distrito Federal entre 30 e 69 anos tiveram menos mortes causadas por diabetes, acidente vascular cerebral (AVC) e tiros. Porém, o câncer e a dengue registraram um crescimento notável como causas de óbito. O infarto agudo do miocárdio continuou sendo a principal causa de morte em ambas as décadas, segundo dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), que analisou mais de 11 mil certidões de óbito no total.
Um dos avanços mais importantes foi a redução das mortes por violência com arma de fogo, que caiu de 211 casos em 2014 para 62 em 2024, fazendo essa causa descer do segundo para o vigésimo nono lugar no ranking. Também houve diminuição nos óbitos por diabetes, que caíram de 166 para 129, mudando do terceiro para o oitavo lugar.
No entanto, as doenças cancerígenas se tornaram mais frequentes. O câncer de mama subiu do quarto para o segundo lugar, enquanto o câncer de pulmão avançou da sexta para a terceira posição. O câncer de cólon entrou entre as dez principais causas, pulando do décimo nono para o décimo lugar. O crescimento mais expressivo foi o da dengue, que saltou da centésima quadragésima sexta para a nona posição, impulsionada por uma epidemia recente entre 2023 e 2024.
A SES-DF adotou várias ações para combater a dengue, incluindo tendas de atendimento, visitas domiciliares, armadilhas, uso de drones e soltura de mosquitos modificados para reduzir a transmissão. Graças a essas iniciativas, os casos suspeitos de dengue diminuíram em 96% em 2025. Na área do câncer, o atendimento também melhorou: a fila para consultas caiu 52,3%, de 889 para 424 pacientes, e o tempo médio de espera foi reduzido de 81 para 25 dias. Na radioterapia, a lista de espera diminuiu 35,39%, passando de 630 para 407 pacientes, e o tempo de espera caiu de 87 para 36 dias.
Mélquia Lima, gerente de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção à Saúde da SES-DF, ressaltou que esses dados destacam a importância da detecção precoce e tratamento rápido, especialmente para os cânceres de mama, pulmões, brônquios e cólon, além das doenças crônicas do coração. O estudo considerou as mortes prematuras com base na expectativa de vida do Distrito Federal, que é de 79,7 anos, acima da média nacional de 76,6 anos, sendo 82,9 para mulheres e 76,3 para homens, conforme dados do IBGE.
Esses resultados reforçam a importância de políticas públicas fundamentadas em evidências e motivam a população a adotar hábitos saudáveis, como praticar exercícios regularmente, manter uma alimentação balanceada, controlar o estresse, ter uma boa qualidade de sono e realizar exames de rotina com frequência.
