Jéssica Maes
Folhapress
Em abril, os alertas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado, os dois principais biomas do Brasil, tiveram uma redução. A área desmatada na floresta amazônica foi de 228 km², o que representa uma diminuição de 15% em comparação com os 270 km² registrados em abril de 2025. Já no Cerrado, a queda foi maior, passando de 691 km² para 418 km².
Esses dados foram divulgados pelo sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na última sexta-feira, dia 8.
O Deter serve para emitir alertas de desmatamento e apoiar ações de fiscalização. Os números oficiais, porém, são obtidos pelo sistema Prodes, também do Inpe, que é mais preciso e divulgado anualmente.
Nos primeiros meses do ano, o volume de desmatamento costuma ser menor por causa do período chuvoso, que dificulta a derrubada de árvores. Além disso, muitas nuvens podem atrapalhar a captação de imagens de satélite, o que pode influenciar os dados.
Analisando o acumulado de janeiro até abril, a Amazônia perdeu 627 km² de vegetação nativa, uma leve queda de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior. No Cerrado, a área desmatada foi de 1.884 km², 4% menor do que em 2025.
Essa redução no desmatamento em ambos os biomas está alinhada com uma tendência observada desde que Marina Silva retornou ao Ministério do Meio Ambiente, em 2023. O valor acumulado nos quatro primeiros meses deste ano é o segundo menor da série histórica para a Amazônia, e o quarto menor para o Cerrado.
O Deter começou a medir o desmatamento na Amazônia em 2016 e no Cerrado em 2019.
Em 2026, os estados com maior desmatamento na Amazônia foram Mato Grosso (255 km²), Roraima (117 km²) e Pará (144 km²). No Cerrado, Tocantins (568 km²), Maranhão (370 km²) e Bahia (225 km²) lideraram os números.
O desmatamento tende a aumentar entre maio e setembro, que são os meses mais secos. Além disso, a previsão da chegada do El Niño no primeiro semestre, com força moderada a forte, pode intensificar a seca nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, agravando o problema do desmatamento e dos incêndios florestais.
O desmatamento é a principal fonte de emissão de gases do efeito estufa no Brasil. Em 2024, ele representou 42% das emissões totais de carbono do país, conforme dados do Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (Seeg). Controlar o desmatamento é crucial para o sucesso do plano climático nacional, um compromisso do governo federal no âmbito do Acordo de Paris.
