SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O preço do petróleo abriu em baixa na primeira sessão de negócios depois da invasão americana na Venezuela e da captura de Nicolás Maduro por forças militares dos Estados Unidos.
Na abertura dos negócios na Bolsa eletrônica do CME Group, o preço do barril Brent, usado como referência na Europa e Ásia, caiu 0,44%, chegando a US$ 60,48 para contrato com vencimento em março. O barril WTI, referência no mercado americano, para contrato em fevereiro, teve queda de 0,70%, cotado a US$ 56,92.
O mercado reage à ação militar dos EUA na Venezuela, que tem as maiores reservas de petróleo do mundo, com mais de 300 bilhões de barris. A volatilidade dos preços reflete a incerteza dos investidores sobre o futuro político do país.
Segundo Fábio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, “a ofensiva americana cria um ambiente que, inicialmente, aumenta o risco para o mercado”.
Devido à incerteza, investidores tendem a diminuir suas posições em ativos ligados à economia venezuelana, como o petróleo.
Anuj Gupta, diretor da Ya Wealth, diz que “o ataque gera tensões geopolíticas, aumentando a pressão sobre os preços do petróleo e outras commodities”.
No curto prazo, o mercado petrolífero deve ser influenciado principalmente pela instabilidade política na Venezuela, mais do que por fatores de oferta e demanda. Jorge León, chefe de análise geopolítica da Rystad Energy, avalia que “neste momento, o mercado é movido mais pela incerteza política do que por fundamentos econômicos”.
A decisão recente da Opep de manter a pausa nos aumentos de produção do petróleo no primeiro trimestre de 2025 também influencia o cenário.
O mercado já acumulou uma queda de aproximadamente 20% nos preços do Brent e do WTI neste ano.
No médio e longo prazo, a recuperação da produção petrolífera venezuelana será decisiva para os preços globais. Embora o país tenha a maior reserva de petróleo do mundo, sua produção atual é baixa.
O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu elevar a exploração petrolífera na Venezuela, indicando que empresas americanas atuarão para aumentar a produção local.
Dan Kawa, sócio da We Capital, destaca que “o controle do petróleo venezuelano pelos EUA pode ampliar a oferta mundial, reduzir a volatilidade dos preços e aumentar a segurança do fornecimento no médio prazo”.
O mercado deve observar atentamente sinais sobre a retomada das exportações de petróleo da Venezuela, que poderão reduzir a instabilidade dos preços, segundo analistas.

