As emissões totais de gases que causam efeito estufa no Brasil diminuíram 16,7% em 2024, chegando a 2,145 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, uma redução significativa em comparação com 2023. Essa é a segunda maior queda desde 1990, conforme dados do Observatório do Clima baseados no sistema SEEG.
Considerando a absorção de carbono pela vegetação e áreas protegidas, as emissões líquidas caíram 22%, totalizando 1,489 bilhão de toneladas. A principal razão para essa diminuição foi a queda no desmatamento, principalmente na Amazônia e no Cerrado, onde as emissões por mudança de uso da terra caíram 32,5%. Todos os biomas apresentaram redução nas emissões, exceto o Pampa, que teve um aumento de 6%.
No entanto, os incêndios florestais em 2024 liberaram 241 milhões de toneladas de CO2, o maior valor registrado na série histórica. Esses números não aparecem no inventário oficial, mas poderiam dobrar as emissões líquidas da mudança de uso da terra se fossem considerados.
Outros setores manteram suas emissões estáveis ou tiveram leve crescimento. A agropecuária diminuiu suas emissões em 0,7%, totalizando 626 milhões de toneladas, oriundas de fermentação entérica, manejo de resíduos animais e cultivo de arroz. O setor de energia cresceu 0,8%, chegando a 424 milhões de toneladas, devido à queima de combustíveis para geração de energia e transporte. As emissões da indústria e uso de produtos subiram 2,8%, alcançando 94 milhões de toneladas, enquanto o setor de resíduos aumentou 3,6%, totalizando 96 milhões, principalmente por conta da disposição de resíduos sólidos.
Por estado, Mato Grosso tem a maior emissão per capita, com 60 toneladas por habitante, comparável a países desenvolvidos. No total, os estados com maiores emissões brutas são Pará (278 MtCO2e), Mato Grosso (231 MtCO2e), Minas Gerais (190 MtCO2e) e São Paulo (145 MtCO2e). Estados como São Paulo, Alagoas e Pernambuco têm emissões per capita abaixo da média mundial de 3 toneladas.
Projeções indicam que o Brasil pode não atingir sua meta climática para 2025, com emissões líquidas previstas em 1,44 bilhão de toneladas, 9% acima do limite de 1,32 bilhão. Os especialistas apontam a necessidade de ações adicionais para controlar incêndios e reduzir emissões nos setores de energia e indústria, criticando o foco excessivo no desmatamento pelo Ibama.
Em resposta a esse cenário, o governo federal lançou o Plano Clima, que orienta medidas para reduzir as emissões entre 59% e 67% até 2035, em comparação com 2005, e alcançar a neutralidade de carbono até 2050.
