NICOLA PAMPLONA
FOLHAPRESS
A Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) divulgou uma nota técnica alertando para uma situação de risco incomum no mercado de combustíveis brasileiro. Essa situação é resultado principalmente da grande queda nas importações desde o início da guerra no Irã, que pressionou os estoques internos e a Petrobras, principal fornecedora de combustíveis no país.
Nos primeiros 17 dias de março, as importações de combustíveis caíram quase 60% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O Brasil depende das importações para suprir cerca de 30% do consumo de diesel e 10% do consumo de gasolina.
O aumento do preço internacional e os riscos logísticos na região do Golfo reduziram a competitividade do diesel importado, causando maior pressão sobre a demanda do produto nacional. Com isso, empresas com estoques disponíveis passaram a receber mais pedidos de postos que dependem de combustíveis importados, gerando uma percepção de escassez e aumento dos preços, mesmo antes de reajustes da Petrobras.
A Petrobras tem adotado uma estratégia de restringir aprovações de pedidos das distribuidoras, direcionando o diesel e gasolina importados para leilões com preços mais altos, o que impactou os estoques do setor privado. No primeiro trimestre, a empresa aprovou volumes menores de gasolina e diesel comparado ao ano anterior, exceto para o diesel S-10, que teve aumento.
A ANP informa que os volumes não vendidos em contratos foram oferecidos em leilões, o que influencia o preço final, mas não necessariamente a oferta. No entanto, o cancelamento de leilões de gasolina e diesel para abril levou distribuidoras a alertar o governo sobre risco de falta de produtos.
Segundo a nota técnica, há um desequilíbrio nos estoques: baixos volumes disponíveis nas distribuidoras e postos, enquanto os produtores mantêm estoques elevados. A Petrobras mantém estoques acima do regulatório, enquanto seus principais clientes demandam volumes extras.
Na última quinta-feira, a ANP ordenou que a Petrobras realize os leilões e estabeleceu medidas para monitorar o abastecimento, solicitando informações sobre estoques e importações às grandes empresas do setor. Também autorizou o uso de estoques regulatórios das refinarias e distribuidoras para garantir o fornecimento ao mercado.
Para normalizar o abastecimento, distribuidoras e importadores dependem do alinhamento entre os preços internos e as cotações internacionais, que estão elevadas devido ao conflito no Oriente Médio. O preço do diesel nas refinarias da Petrobras está atualmente R$ 2,68 por litro abaixo da paridade de importação, um valor muito superior à subvenção de R$ 0,32 por litro criada pelo governo para compensar prejuízos com importação.
A Petrobras declarou que continua entregando todo o volume de combustíveis produzidos nas suas refinarias, que operam em capacidade máxima, e que tem fornecido volumes cerca de 15% superiores aos acordados no início do mês.
