ANA PAULA BRANCO
FOLHAPRESS
O IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado), que é usado para definir o preço da maioria dos contratos de aluguel no Brasil, caiu 0,73% em fevereiro. Esse valor foi maior do que o esperado e reverteu a alta de 0,41% registrada em janeiro.
Com esses números, o índice acumula uma queda de 2,67% nos últimos 12 meses.
Apesar da queda do IGP-M, os inquilinos provavelmente não verão uma redução automática no valor do aluguel, pois normalmente os contratos não permitem ajuste para baixo quando o índice cai, conforme explica Jaques Bushatsky, do Conselho Jurídico da Presidência do Secovi-SP.
No entanto, é possível negociar uma redução no aluguel ou mudar o índice usado para o reajuste diretamente com o proprietário.
Para saber o valor do reajuste, é importante verificar o mês do aniversário do contrato. Por exemplo, para um contrato com aniversário em março de 2026, o reajuste com base no IGP-M de fevereiro, com deflação acumulada, seria de -2,67%.
Se o aluguel atual é R$ 3.000 e o IGP-M acumulado fosse 6,75%, o cálculo do reajuste seria multiplicar R$ 3.000 por 0,0675, resultando em R$ 202,50 de aumento.
Contratos com aniversário em janeiro ainda usarão os números do período anterior, menos negativos, então o reajuste varia conforme a data exata.
Para novos contratos, este é um momento favorável para negociar valores. Quem já tem um contrato vigente deve verificar as cláusulas antes de esperar descontos automáticos.
Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), a queda do índice foi puxada pelo setor atacadista. O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que representa 60% do IGP-M, caiu 1,18% em fevereiro, após subir 0,34% em janeiro. Isso ocorreu devido à queda nos preços de commodities como minério de ferro (-6,92%), soja (-6,36%) e café (-9,17%).
O IPC (Índice de Preços ao Consumidor), que tem peso de 30% no índice, desacelerou para 0,30% em fevereiro, frente a 0,51% no mês anterior, com menor aumento nas mensalidades escolares.
O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) também teve desaceleração, mas ainda subiu 0,34% em fevereiro, contra 0,63% em janeiro.
Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue, comenta que a queda do índice ajuda a aliviar a pressão sobre contratos que usam o IGP-M e traz mais previsibilidade para empresas com custos ligados a ele, como locações comerciais e contratos de serviços.
Ele acrescenta que esse movimento pode indicar uma moderação na economia ou uma volta à normalidade após períodos inflacionários mais intensos.
IGP-M ou IPCA? Qual índice é melhor para reajustar aluguel?
Além do IGP-M, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) também pode ser usado para correção de aluguel. Em janeiro, o IPCA subiu 0,33%, acumulando alta de 4,44% em 12 meses, segundo o IBGE.
Cyro Naufel, diretor institucional do grupo imobiliário Lopes, esclarece que não existe um índice sempre melhor que o outro. Quando há divergências significativas, a melhor solução é negociar para que ambas as partes concordem.
Normalmente, a escolha do índice é feita na assinatura do contrato. Porém, já que o reajuste ocorre a cada 12 meses, as partes podem acordar uma alteração do índice escolhido.
